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O efeito Pli

Para desanuviar das nuvens pesadas que pairam sobre o futebol bracarense, quero aproveitar este espaço para lembrar algo que a nossa mente pessimista e masoquista tende a esquecer. Na presente época temos uma equipa a fazer uma carreira brilhante e que pouco destaque tem tido, em relação àquilo que realmente merece: refiro-me à equipa de futsal SC Braga/AAUM. Com um plantel modesto, com um orçamento muito baixo, acaba de vencer o Benfica por 6-3, colocando-se no quarto lugar da classificação, a um ponto do segundo e a quatro do primeiro classificado.

Manuel Cardoso
31 Out 2013

Quem tem visto os jogos desta equipa de futsal tem certamente reparado no espírito com que esta equipa joga: o verdadeiro espírito guerreiro! Sem vedetas, sem jogadores milionários como os rivais de Lisboa, estes guerreiros foram finalistas da Taça de Portugal e agora estão a disputar os primeiros lugares do campeonato principal.
Como é isto possível? Da mesma forma que foi possível à equipa de futebol ter ganho a Taça Intertoto, ter ido à final da Liga Europa e ter ganho a Taça da Liga: com humildade, competência e organização. Afinal, a receita até parece simples.
O jogo do passado fim-de-semana em Gualtar impressionou pelo denodo, pela qualidade do futsal apresentado, pela emoção, pela correção dos jogadores e do público mas o que me impressionou mais foi a forma como os jogadores deixaram transbordar as suas emoções, no festejo dos golos e na forma espetacular como comemoraram a vitória, no final, com os adeptos. Quem viu essas manifestações de alegria e de harmonia com os adeptos só pode concluir que ali há amor à camisola. Aquilo que parece ter desaparecido do futebol parece, teimosamente, sobreviver nas modalidades como o futsal.
No entanto, há um aspeto que gostava de referir aqui por me parecer determinante na carreira desta equipa: o efeito PLI. E o que é o efeito PLI? É a honra e a inteligência de um clube que mantém nas suas fileiras um atleta e um “senhor” como é esse guarda-redes de 36 anos que defende as nossas cores há quase nove anos. Em jogo, no banco ou na bancada, no meio dos adeptos, o Pli está lá sempre de corpo e alma. Ele vive e transpira o SC de Braga.
A equipa principal de futebol está em crise, como toda a gente sabe; as razões para essa crise são muito variadas; mas é inegável que nos falta o efeito PLI. Falta ali alguém que leve para o campo o braguismo, o amor à camisola, o sentimento do adepto. É claro que temos alguns excelentes profissionais, muito dedicados. Mas não é a isso que me refiro; é a alguém que transporte aquilo a que outros chamam “mística” e a que eu prefiro chamar “amor à camisola”. Aquela vibração, aquela alegria, aquele fervor que o Pli coloca no jogo é algo que transmite uma energia tremenda ao grupo.
Nos tempos em que, realmente, estivemos mal, com a “corda” no pescoço, foram homens como Barroso, Zé Nuno e Artur Jorge, por exemplo, que salvaram o nosso Braga. Agora, por muito que admire profissionais como Alan ou Custódio, parece-me que falta ali um PLI.




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