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Dois cães, quatro gatos e 400 “camaleões”

Tenho um cão. Só um. Chama-se Nero. Deve ter à volta de três anos. Mora comigo há dois, depois de uma visita familiar ao canil municipal de Braga. Tratou-se de um processo de “adoção”, forçada pelo facto de alguém ter dito aos meus filhos, na altura – uma quinta-feira –, que o animal iria ser abatido no sábado a seguir. Esperámos a tarde toda daquele dia. Foi uma espera longa até que o pudéssemos trazer para casa, primeiro como família de acolhimento. Passado pouco mais de um mês, e depois de duas visitas de um elemento da ABRA – Associação Bracarense dos Amigos dos Animais, obtivemos a respetiva licença para que o Nero – um podengo português misturado com uma raça indeterminada – ficasse definitivamente connosco.

Damião Pereira
31 Out 2013

Tal como eu, outras pessoas levaram, naquele dia, um cão ou um gato para casa, ajudando quem trabalha para que o número de animais abandonados diminua. E se se pode ter mais do que um, oferecendo os cuidados necessários, entendo que esta atitude só pode ser louvada.
Só que agora, sem mais nem porquê, a austeridade parece querer chegar também à afetividade que temos com os animais com quem dividimos o nosso espaço, já que o Governo se prepara para alterar a atual lei sobre animais domésticos limitando a dois o número de cães por apartamento e a quatro o número de gatos.
Reconheço que uns, mais do que outros, terão condições para ter mais do que um animal, mas não posso concordar com o facto de se pensar numa legislação que mais não fará do que punir emocionalmente quem acolhe os animais em vez de combater ainda com maior veemência o seu abandono e penalizar quem os maltrata.
Por isso, penso que mais do que a limitação do número de animais por apartamento, a nova legislação e respetiva vigilância por parte das autoridades camarárias e veterinários municipais talvez devesse incidir sobre as condições – de espaço, saúde, higiénicas e até económicas – que os donos têm ou não para poderem ter mais do que dois cães e quatro gatos em casa.
A afetividade conta…

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Foi notícia no “Público” de ontem que o PSD se prepara para expulsar cerca de 400 militantes que estiveram envolvidos em candidaturas adversárias nas últimas eleições autárquicas.
Segundo os estatutos do partido, «cessa a inscrição no partido dos militantes que se apresentem em qualquer acto eleitoral nacional, regional ou local, na qualidade de candidatos, mandatários ou apoiantes de candidatura adversária da que foi apresentada pelo PPS/PSD».
Ora, quando pertencemos a uma sociedade, associação, coletividade ou partido, estamos sujeitos a regras, a uma espécie de contrato. Se, por motivo próprio, não pretendemos honrar nem as regras nem o contrato, o melhor é “desfazer” a promessa antes de novas “aventuras”.
A liberdade partidária não deve chegar a tanto. Não vale a pena procurar justificações. Na política está-se ou é-se.




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