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Antes que seja tarde

Prossigo a reflexão feita há oito dias. Para sublinhar que as manifestações de amor e de respeito para com os mortos nos não dispensam do dever de amarmos e respeitarmos os vivos. Mais: para lembrar que não esperemos que as pessoas morram para lhes dizermos o muito que lhes queremos. Os mortos de hoje eram os vivos de ontem. Como foram tratados? Em Dia de Fiéis Defuntos vamos ao cemitério, passar algum tempo junto dos restos mortais dos que nos são queridos. Não esperemos que as pessoas morram para lhes fazermos companhia. Ajudemo-las, em vida, a viverem os tempos de solidão.

Silva Araújo
31 Out 2013

Convidemo-las para as nossas festas. Não deixemos de estar com elas nas horas tristes. Convidemo-las para um almoço, para um passeio, para passarem um fim de semana connosco. Não consintamos que partam para o outro lado da vida sem o nosso olhar carinhoso e sem a nossa mão amiga.
Em Dia de Fiéis Defuntos cobrimos de flores as campas das pessoas que nos são queridas. Que enquanto se encontram connosco criemos junto delas um clima de alegria. Ajudemo-las, já neste lado da vida que não precisa de ser um vale de lágrimas, a serem felizes. Mesmo quando houver problemas de saúde, ajudemo-las a terem qualidade de vida. Não deixemos de as fazer sorrir.
Não esperemos que as pessoas morram para lhe dizermos que as amamos. Amemo-las já em vida, não apenas com palavras mas sobretudo com obras. Coloquemo-nos ao seu serviço. Sejamos-lhes prestáveis. Sejamos compreensivos para com os seus defeitos. Sejamos indulgentes para com os seus erros. Saibamos dizer-lhes as coisas com bons modos. Aceitemo-las como são. Tratemo-las como seres iguais a nós. Vejamos em cada uma delas um filho de Deus. Partilhemos com elas alegrias e tristezas e também os bens materiais. Não lhes compliquemos a vida.
Não esperemos que as pessoas morram para rezarmos por elas. Já em vida, sempre que possível, rezemos com elas, porque onde dois ou três estiverem reunidos em nome de Jesus Jesus está no meio deles. Rezemos por elas, para que sejam fiéis à sua vocação, para que façam da vida um caminho de santidade, para que saibam viver cristamente as contrariedades que a vida lhes trouxer. Para que saibam encontrar a melhor solução para os problemas que lhes surgirem.
Não esperemos que as pessoas morram para mandarmos celebrar Missas por elas. Já em vida, convidemo-las a participarem connosco pelo menos na Eucaristia dominical.
Não esperemos que as pessoas morram para dizermos bem delas. Já em vida, não nos fixemos apenas nos seus defeitos mas reconheçamos as suas qualidades. O que tivermos a dizer-lhes de menos positivo, digamo-lo a elas e a mais ninguém. Exercitemo-nos na prática da correção fraterna, feita sempre com amor. Não as difamemos nem consintamos que outros as difamem. Quando forem vítimas de calúnias ou de injustiças, não tenhamos receio de repor a verdade. Procuremos falar com elas e evitemos falar delas quando se trata de coisas menos abonatórias.
Vejo na Comemoração do Dia de Fiéis Defuntos um apelo a que procuremos, deste lado da vida, ter um bom relacionamento com todos. A que nos ajudemos a sermos felizes. A que construamos uma sociedade cada vez mais humana, mais justa, mais fraterna, mais solidária, onde cada um possa viver como ser humano e como filho de Deus.




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