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O que fica quando tudo acabar?

1 Um dia, tudo isto acaba.Acaba o pequeno, mas
também acabará o que se
considera grande. Acaba o frágil,
mas também acabará o que
se julga forte.
Acabarão as estrelas, os planetas
e as galáxias. Acabarão
as grandezas, as pompas e as
ambições. Acabarão as guerras,
as raivas e os ódios. Acabarão
as pisadelas, as rasteiras e as
agressões.

João António Pinheiro Teixeira
29 Out 2013

2. O que ficará depois de tudo
terminar?
Os vencedores não sobrevivem
muito aos vencidos. Também
eles caem. Também eles
morrem.
3. É, porém, tarde – muito tarde
– que percebemos isto. É tarde –
muito tarde – que notamos que
as nossas vitórias são tão vazias
como as derrotas dos outros.
Para quê matar se os que
matam também morrem?
No fundo, é bem efémero o «sabor
» de certos triunfos. A longo
prazo, nada nos garantem.
Não nos tornam donos do tempo,
nem fazem parar os anos.
Afinal, os poderosos também
são débeis.
4. Ao contrário do que sucede
com a natureza, no homem a
Primavera não se repete.
O Inverno, para o ser humano,
é a última estação. Talvez seja
a melhor. Porque nos conduz à
eternidade, ao fim sem fim.
5. Quando os anos passam e o
tempo avança, notamos que já
escapamos à morte muitas vezes.
Que já vencemos a morte
muitas vezes. Que, no fundo, já
morremos muitas vezes.
Estamos a caminho da derradeira
paragem. Já só falta morrer
a última vez?
6. Na morte, não acabamos apenas
de viver. Acabamos também
de morrer.
A experiência diz que, habitualmente,
morre-se conforme se
vive. Daí que Marguerite Yourcenar
descreva a morte como corolário,
não como destruição: «A
morte surge como uma consagração
de que só os mais puros
são dignos: muitos homens desfazem-
se, poucos morrem».
7. Num certo sentido, viver é
– ou devia ser – aprender a
morrer.
Acontece que Deus é «morticida
». Ele mata a morte. Quem vive
em Deus vive para sempre.
8. É por isso que, mesmo
quando tivermos de nos separar,
não deixaremos de continuar
unidos.
É claro que a separação custa
sempre. Mas nem a morte
consegue separar aqueles que
Deus uniu.
9. É neste sentido que, parafraseando
S. João Crisóstomo, diria
que onde estivermos, estarão
também os nossos amigos.
Ainda que estejamos em lugares
distantes, continuaremos sempre
unidos.
10. Nada, nem a morte, poderá
separar-nos. Em toda a parte
nos reencontraremos.
A luz que a fé acende nunca se
apagará!




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