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Mau perder?

Não vale a pena estarmos com sofismas: ocorreu uma viragem histórica e sem precedentes na governação da autarquia bracarense. O local da sessão solene da tomada de posse do novo presidente da Câmara Municipal de Braga – o Theatro Circo – foi demasiado pequeno para tantos munícipes que quiseram testemunhar essa “viragem” na governação autárquica após 37 anos de gestão socialista. Os bracarenses, desta vez, expressaram, através do voto, o seu desejo de confiar os destinos do município a Ricardo Rio, com outro estilo, outro modelo ou outros critérios de liderança. A democracia é assim: o povo é quem mais ordena!

Albino Gonçalves
29 Out 2013

Terminou um “ciclo” – e o tempo encarregar-se-á de lhe fazer a história. A cidade evoluiu nalguns segmentos, mas regrediu noutros. Há beleza e encanto, mas também destruição patrimonial e excesso imobiliário. Há dinâmica de espaços citadinos, mas também há exclusão e empobrecimento da dinâmica cultural. Há aspetos de vanguarda e inovação, mas também ocorreram situações que mereciam soluções mais viáveis e mais participadas pelos bracarenses, designadamente no que se refere às vertentes sociais e de infraestruturas urbanísticas.
A liderança municipal de Mesquita Machado ao longo de quase quatro décadas “merecia” a sua aparição no ato de tomada de posse de Ricardo Rio. Teria sido um gesto de sentido democrático estar presente na cerimónia em que o opositor passou a ocupar a sua cadeira de poder – por vontade expressa (sublinhe-se!) da maioria dos bracarenses.
Simbolicamente, teve um grande significado a ausência do presidente cessante nessa cerimónia. E para os munícipes presentes, esse não foi um bom exemplo de respeito pelo espírito democrático.
Mesquita Machado, habituado a vitórias sucessivas nas eleições, não se conformou com os sinais dos tempos. Valeu a legislação relativa à limitação dos mandatos autárquicos para pôr termo a uma gestão que parecia infindável no tempo e provocar a mudança. Como alguém já escreveu, “os políticos profissionais deste país, esses que seguem o cursus honorum dos deputáveis, ministeriáveis, presidenciáveis, são hoje dominados por uma geração cinquentona, ou quase, marcada por uma traumática saída da adolescência nos anos sessenta, do crepúsculo do Estado Novo. Todos eles dependem muito das más leituras que fizeram entre os dezoito e os vinte anos de idade. É de alguns desses anjinhos decaídos que apetece falar”. Ora, neste contexto, sou totalmente a favor da ideia de que é saudável a limitação de mandatos de cargos públicos.
A cidade de Braga, tal como o país, é pluralista – tanto do ponto de vista das classes que a compõem, quanto das pessoas candidatas às autarquias e das forças políticas que as representam, bem como da ideologia que proclamam. Por isso mesmo, teria sido um ato de nobreza e pluralismo democrático que o anterior presidente da autarquia bracarense tivesse marcado presença num ato público que resultou do desejo maioritário dos mesmos cidadãos (sublinho: dos mesmos!) que lhe deram o governo do município durante 37 anos.




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