Fotografia:
Desgraçados dos pensionistas e funcionários públicos

O descontrolo da despesajá se arrasta há muitos
anos, pois nunca poderíamos
gastar, desmesuradamente,
mais do
que aquilo que produzíamos. A
partir de 2005 a austeridade começou,
mas carregada de injustiças,
concentrada, praticamente,
no funcionalismo público e nos
pensionistas.

Salvador de Sousa
29 Out 2013

Com uma investida
inicial aos professores que
causou a fuga de grandes profissionais
que se refugiaram na
aposentação devido ao ataque
sem precedentes à sua profissão
que, de repente, perdeu muitos
dos seus direitos, não poupando
também todas as outras
classes profissionais, subtraindo-
lhes e revolucionando sistemas
que geraram grandes controvérsias
e muito desânimo na
vida de cada um.
Enquanto tudo o que referi no parágrafo
anterior decorria, continuavam
os gastos desmedidos
em tantos empreendimentos
que foram hipotecando o
futuro. Quantos contratos das
tais parcerias público-privadas
(PPP) estão para pagar ao longo
de tantos anos (30, 40…)?
Se para uns havia austeridade,
para que se desperdiçava tanto
e não havia a coragem de controlar
mais a despesa? Os gastos
na função pública, em relação a
tantos outros, são ínfimos e tem
havido pouca coragem na generalização
da austeridade! Para
que serviram os computadores
“Magalhães”? Quantos milhões
se gastaram? Quantos milhares
ainda estão empacotados à espera
de serventia? O país encontrava-
se em condições para
tal desperdício? Muitos serviram
para os alunos passarem o
tempo a jogar. O computador é
muito útil, mas não podemos deixar
de exercitar os métodos tradicionais,
sobretudo na escrita,
na leitura e em tantos outros. E
as obras megalómanas que se
fizeram e que se pretendiam fazer
com a economia nas condições
em que já se encontrava?
Quantos milhões se despende-
O país poderia estar melhor se
houvesse mais coragem no controle da
despesa. Continuam os desgraçados dos
pensionistas e da função pública a pagar
aquilo que os nossos governantes, ao
longo do tempo, não souberam gerir. Por
alma de quem o tempo de serviço dos
políticos contava a dobrar?
Nos artigos enviados para o Diário do Minho
destinados a esta secção deve constar a
identificação completa dos seus autores
(nome, morada, n.º de BI e contacto).
ram em estudos e projetos que
ficaram sem concretizar. Para
que existiu essa teimosia numa
altura em que a austeridade já
estava a entrar nos bolsos dos
que trabalhavam? Quantas regalias
supérfluas havia (e ainda não
foram totalmente banidas!) neste
país? Durante anos que andámos
a consumir como que de um
país riquíssimo se tratasse! Muitas
das parcerias público-privadas
em que resultaram? As obras fazem-
se, o problema é poder pagá-
las e quando se promovem,
por muito úteis
que sejam, há que ver os recursos
que existem para tais empreendimentos.
Presentemente, acho que o país
poderia estar melhor se houvesse
mais coragem no controle da
despesa. Continuam os desgraçados
dos pensionistas e da função
pública a pagar aquilo que
os nossos governantes, ao longo
do tempo, não souberam gerir.
Por alma de quem o tempo
de serviço dos políticos contava
a dobrar? Por que razão, além
das facilidades de se chegar a
uma reforma com poucos anos
de serviço, havia tantas acumulações
injustas? Para que servem
a subvenções dos políticos
com leis que eles próprios fizeram?
Por que razão, ainda hoje,
há classes privilegiadas, tendo
havido pouca coragem na subtração
das suas regalias? A idade
da aposentação é para todos
aos 66 anos? Se há exceções, por
uma questão de equidade, temos
também os professores, os médicos,
os enfermeiros e tantos outros
que, a partir de uma certa
idade, as suas faculdades podem
não ser as melhores para a função
do seu desempenho.
O Orçamento de Estado para 2014
não foge à regra e estamos quase
como no tempo em que cada
PEC aprovado era uma solução
para a crise, só que o país cada
vez se afundava mais e os Programas
de Estabilidade e Crescimento
(PEC) não resolviam absolutamente
nada. Agora, em vez disso, temos
os orçamentos que todos os anos
prometem soluções, só que os frutos
não têm sido os desejados. Continuamos
a ficar cada vez mais empobrecidos
e a recessão, com estas
medidas previstas, infelizmente, vai
continuar a ser uma das causas da
ruína da nossa economia. Enquanto
o poder de compra diminuir nunca
sairemos deste dilema. Há medidas
de austeridade, mesmo a nível da
função pública que eram essenciais,
mas não exageremos! Por exemplo,
implantar a convergência entre
a Caixa Geral de Aposentações
(CGA) e o Regime Geral da Segurança
Social (RGSS) para quem já
recebe pensão e, mesmo, os que
estão perto de se aposentarem é
ignorar os compromissos através
dos quais fizeram os seus descontos.
Recalcular e aplicar essas novas
fórmulas a quem já está aposentado
passa a ser um autêntico
roubo.
Termino, citando o Dr. Marques
Mendes que «propôs ao Governo
que, tal como já fez para o setor
energético, avance com uma taxa
especial para as grandes empresas,
Parcerias Público-Privadas e
sistema financeiro. “Não pode ser
sempre o mexilhão e o zé-povinho
a pagar”.»




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