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Um olhar em redor

Pode dizer-se com todas as letras e sem ponta de exagero: pobreza e desigualdades, geradas por uma evidente degradação das condições sociais, colocam o nosso país na cauda de todos aqueles povos ditos civilizados, onde vigora a democracia, interpretada por políticos sérios e competentes, e não por quem dela se serve para impor a sua vontade, tal como numa ditadura. Ou seja: deixamos de ser aquele conjunto de cidadãos unidos pela consciência dos seus direitos e deveres cívicos.

Joaquim Serafim Rodrigues
26 Out 2013

É esta, desde há vários anos a esta parte, a nossa sorte, a nossa sina, o nosso fado! Contudo, aquilo que mais nos constrange face a esta situação é o fosso criado entre ricos e pobres (a classe média desapareceu) distância que, previsivelmente, tende a aumentar.
Tenhamos presente que, já em 2008, a OCDE alegava: “Os governos não podem recorrer sempre aos impostos a fim de reduzir a pobreza e desigualdade. A alternativa são os rendimentos do capital para atenuar o fosso entre ricos e pobres em países como Portugal”.
Entretanto, e já em plena recessão económica mundial que contaminou também a Europa e se mantém ainda, vimos um primeiro-ministro (José Sócrates) enaltecer o seu governo, alardeando triunfos, escamoteando insucessos, esquecendo promessas feitas e não cumpridas. Contudo, a situação era esta e não outra: uma inflação asfixiante, fazendo perder (não a todos por igual) o poder de compra; um crescimento económico baixíssimo – e um Estado administrando mal os dinheiros públicos. Relembro, a propósito, o custo dos estádios para o Euro de 2004: alguns, já de si grandiosos, em vez de melhorados, foram destruídos e construídos de raiz, (refiro-me aos do Sporting, Benfica e Porto). Mais grave ainda: quando a UEFA achava suficiente seis ou sete estádios, apresentamos dez! Ou feitos de novo, ou grandemente melhorados os já existentes, registando-se em todos eles uma média de 30 por cento de assistentes aos jogos, ou seja, sete em cada dez lugares ficam vazios presentemente. E já nem falo naqueles que deixaram os respectivos municípios endividados, encarando a hipótese de venderem os respectivos espaços para outros fins, casos de Leira e Aveiro, enquanto o do Algarve permanece, sim, mas “às moscas” durante quase todo o ano. Responsáveis? Poupe-me caro leitor, não me faça rir, que os tempos não estão para isso. Já viu alguém responder? Ser julgado? Ser preso?…
Lembro que a este propósito, José Gomes Ferreira, já por mim citado anteriormente, afirma a dado passo no seu livro “O meu Programa de Governo”: O crime económico que foi a construção do dois estádios ao longo da mesma avenida de Lisboa, na Segunda Circular, quando um grande estádio de futebol na capital era suficiente, bastava ter sido combinada a utilização comum pelos dois clubes. E diz mais: Um estádio de Aveiro que é um pesadelo financeiro. Um estádio de Coimbra cuja dívida contraída pela Câmara, 23 milhões de euros, representa 43 por cento do endividamento total da autarquia, 1,5 milhões de euros de amortizações de capital só em 2013, mais 243 mil euros de juros… Um estádio de Leiria que, além de um buraco financeiro, é um atentado estético, destrói a paisagem encimada pelo belo castelo que os nossos antepassados nos deixaram… (Fim de citação).
Cito só mais um exemplo gritante e tornado agora actual: o novo Hospital Pediátrico de Coimbra, a necessitar já de obras no valor de 5 milhões de euros, não obstante os avisos feitos oportunamente por quem estava encarregado de fiscalizar a sua construção e acabou por ser proibido de enviar mais relatórios sobre as irregularidades que o mesmo ia detectando! Onde é que já se viu isto? Como pedir responsabilidades a quem quer que seja?
Com os actuais governantes, perfeitamente na senda dos anteriores, o nível de vida tomba sem apelo, cai assustadoramente, nenhuma medida, nenhum projecto resulta no sentido de evitarmos, quanto a mim, um segundo resgate. Serão então os filhos dos nossos netos a terem de pagar a respectiva factura.
Termino, embora sabendo que este meu
juízo não será partilhado por uns tantos, enfeudados e conformados com o statu quo: este Governo, mal estruturado, desarticulado, não passa de uma ficção. Parece que só o presidente da República é que ainda não deu por isso…




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