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Com jeito vai…

Há mais de trinta anos, Orianna Falaci, jornalista Italiana de grande prestígio Europeu, ficou bem conhecida em Portugal por uma entrevista que fez ao líder comunista Álvaro Cunhal, que em livro foi publicada. De seguida, conseguiu entrevistar Fidel Castro e a referida jornalista perguntou-lhe:
“Fez a revolução em Cuba e afirmou que era para acabar com a pobreza. Passados tantos anos a pobreza no seu país mantem-se. Porquê”. Que Fidel lhe respondeu: “Antes da revolução éramos dez milhões de Cubanos, portanto dez milhões de pobres. Hoje, desses todos, já somos dez mil que não estão pobres”.

Artur Soares
25 Out 2013

Os portugueses desta terceira república sabem o que têm, como vivem e sofrem. Também sabem que esta crise semeada por gente sem ideias, sem amor ao país e pactuante com “senhores externos” que lhes garante a arrotação a mariscos e a duzentos cavalos sobre quatro rodas, tem origem numa economia ao sabor de quem manda. Sabem que visa a fome e a moderna escravidão, como droga, corrupção  organizada e forte, porque, tem por base uma prostituição política que a passos largos está a dizimar famílias, vilas e cidades.
Como o povo de Fidel Castro, somos dez milhões. Também serão ricos alguns milhares, sobretudo os da política, de certas fundações e outros ninhos bem conhecidos do pós vinte e cinco do quatro. Existirão com fome largos milhares e, outros tantos, que a escondem. Os restantes, perdendo peso e excessivamente usadas as suas vestimentas e cansados no seu aspecto – fazendo ginástica perante a vida que são obrigados a enfrentar – tal qual artistas de circo em corda bamba, escondem as lágrimas, expõem o medo, vivem violências verbais e preparam divórcios porque, “casa onde não há pão…”
Neste (nosso) país de Socratismos, Coelhones, Portadas e outras ovelhas que mais parecem de “fora do redil”, constroem-se para cada empresa, instituição ou lugares políticos, autênticos generais de há sessenta anos atrás tipo Brasil, Al Capones, Cor leones, Don Vittos e tantos mais.
Estamos a ser governados por gente sem dignidade, sem honra, gélidos no que respeita ao bem-estar das pessoas, ao cumprimento das leis e do respeito que devem a quem tem o direito ao trabalho e não o consegue; gente que proporciona dentro e fora do país, um ambiente (e um lixo) mal cheiroso, jamais reciclável, vivendo e atuando indiferentes para com o povo, como se este fosse um grupo de estátuas ou de robôs a quem comandam; gente que nem a si mesma se respeita, que despreza tudo e todos, onde ninguém é responsável, ou se responsabiliza pelas ações económicas, sociais e políticas que toma. Resumindo, esta gente é a poluição que o povo tem de respirar.
Está na moda, em vários países do mundo a existência de dias especiais para lembrar ou comemorar grandes acontecimentos.
Desse modo, entendo que em todos os Parlamentos se devia votar o dia Internacional da Reflexão Pessoal. Dia em que seria proibida qualquer atividade, excepto serviços altamente importantes para a sobrevivência dalguém, como serviços de saúde.
Caso um dia assim – especial anual – passasse a existir, creio que grandes conclusões se tiravam e grandes ações se iniciavam para a felicidade dos povos e para o aliviar de consciências sujas ou cancerosas.
O dia Internacional da Reflexão Pessoal, a ser votado, seria uma bomba! Seria como um grande penedo caído num aglomerado de gigantes formigas: todos fugiam, as leis funcionavam, os tribunais julgavam, os povos sorriam e os amigos da rapacidade teriam de cavar o monte ou mendigar o que tantos milhares mendigam (atualmente) entre nós.
E fazendo de conta que no dia de hoje já é o Dia Internacional da Reflexão Pessoal que sugeri, volto atrás e peço, porque refleti: não decretem esse dia da Reflexão Internacional Pessoal. Não proporcionem ao povo refletir! É perigoso! Dêem-lhe futebol, puxa! Programas de fado na televisão e nas tascas, palcos de vida oca onde se canta o fado vadio! Atirem-se contra o Tribunal Constitucional e afirmem que expulsarão de Portugal a Troika, desde que aceitem as suas veias menos ocupadas, carago! Apresentem programas tipo Big Brother, telenovelas de faca e alguidar e ranchos nas praças mais largas da cidade, canudo!
Quererão mesmo os políticos e os “senhores ricos – selvagens – externos” que o mundo todo reflita? Não querem, com certeza.
Mas se quem escreve tivesse a nobre convicção de que escrever é trabalhar para matar o mal do mundo…, logo acreditava, como escrevia o grande cronista Padre Manuel Magalhães no Notícias de Famalicão: “Isto com Jeito Vai!”




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