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Em novembro e não só

1Nos primeiros dias de novembro somos chamados a viver três momentos distintos, como lembrava D. Jorge Ortiga num conjunto de orientações publicadas há oito dias: a celebração do Dia de Todos os Santos, a celebração do Dia de Fiéis Defuntos, a Romagem ao Cemitério que se faz em muitas localidades. Sendo distintos, há entre estes três momentos elementos comuns: a fé na vida eterna, a realidade do Corpo Místico de Cristo, a prática da solidariedade para com os que já se não encontram fisicamente connosco. A morte não é o fim. A vida muda mas não acaba. 

Silva Araújo
24 Out 2013

2. A celebração de Todos os Santos é um dia destinado a homenagearmos todos os que partilham da felicidade com Deus. Todos os Santos. Conhecidos e desconhecidos. Aqueles a quem a Igreja presta público culto de veneração e os que, tendo vivido numa grande união com Deus, o fizeram com tal discrição que não foram inseridos no elenco dos santos canonizados. Entre estes encontram-se, estou certo, muitos familiares nossos.
A celebração do Dia de Todos os Santos é também momento para, uma vez mais, tomarmos consciência da nossa vocação à santidade. Esta é um ideal apresentado a todos e não apenas a um reduzido número de privilegiados, como lembrou o Vaticano II no capítulo V da «Lumen Gentium».
E para nos santificarmos não precisamos de fazer coisas extraordinárias. Imperioso é que, vivendo na graça de Deus, por amor de Deus façamos extraordinariamente bem as coisas simples e vulgares de cada dia. Não precisamos de mudar de profissão já que, sendo honestas e exercidas com perfeição, todas as profissões são caminho de santidade. Há quem se santifique a cuidar das toalhas dos altares como há quem se santifique a fazer a higiene a crianças, a doentes ou a idosos. Não precisamos de mudar de estado de vida, já que tanto se podem santificar os solteiros como os casados ou os viúvos.
 
3. Tradicionalmente, a celebração de Fiéis Defuntos é dedicada a sufragar as que designamos por Almas do Purgatório.
De harmonia com a fé que professamos, a Igreja a que pertencemos desde o dia do Batismo encontra-se em diversos estados: no de peregrina, enquanto por cá andamos; no de felicidade com Deus, constituído pelos que designamos de Santos; no de purificação a caminho da felicidade com Deus, formado pelas chamadas Almas do Purgatório.
Membros do mesmo corpo – o Corpo Místico de Cristo – há entre nós laços de comunhão. Podemos ajudar-nos uns aos outros.
Ao auxílio prestado às Almas do Purgatório dá-se o nome de sufrágio.
Podemos sufragá-las com a oração e com as boas obras. Com a forma como vivemos o dia. Com o Santo Sacrifício da Missa. Com as esmolas que damos e as mortificações que fazemos. Com as indulgências que em seu benefício podemos lucrar. (Permito-me lembrar ser mais que necessária uma correta e esclarecedora catequese sobre o que são as indulgências).
 
4. A Romagem ao Cemitério, que em muitas localidades se faz também no mês de novembro, é momento privilegiado para recordarmos os que se encontram do outro lado da vida. Para lhes agradecermos quanto fizeram por nós. Para implorarmos a sua intercessão. Para tomarmos consciência do dever de concretizarmos os seus projetos e darmos continuidade às suas realizações. De tomarmos consciência do dever de sermos dignos deles.
Vejo nesta Romagem uma jornada de oração pelos que partiram e não um concurso de campas floridas, como às vezes dá a impressão de pretender ser.
 
5. Em Novembro e não só, é o título dado a esta reflexão. A recordação dos que partiram não deve acontecer apenas nos primeiros dias do décimo primeiro mês, mas todos os dias.
Que tal recordação seja, sempre, uma autêntica vivência da fé e não uma teatral manifestação de sentimentos mórbidos onde se não vislumbram sinais de fé, nem de esperança, nem de caridade.
Estou persuadido de que a vivência da fé e a prática da solidariedade para com os que partiram deve levar mais à igreja do que ao cemitério, embora às vezes pareça o contrário.




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