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Braga e a “morrinha” cultural

Ainda que quatro décadas sejam uma gotícula de água no imenso mar do tempo, o dia 21 de outubro de 2013 ficará registado nos anais da história de Braga como um marco indelével. Após 37 anos de poder autárquico socialista, uma nova gestão, protagonizada por Ricardo Rio, tomou as rédeas de “Bracara Augusta” e do município que esta encabeça. Simbolicamente, para a tomada de posse do novo presidente da Câmara foi escolhida uma das salas mais “nobres” da cidade: o Theatro Circo.

Victor Blanco de Vasconcellos
24 Out 2013

Tratou-se de uma escolha feliz, porquanto esse imóvel “representa” uma das mais relevantes aspirações dos munícipes da capital do Minho: a necessidade imperiosa de haver uma maior aposta na Cultura (com maiúscula!) e, consequentemente, no seu património construído.
Não é este o tempo de olhar para trás. O passado já foi “julgado” pelo Povo nas eleições de 29 de setembro passado. O importante, agora, é direcionar a pontaria para o futuro – e realizar, designadamente no campo cultural, aquilo que durante 37 anos ficou esquecido no “limbo” da inoperância…
Este “olhar para a frente” não invalida, contudo, que se esqueça o pretérito. E o pretérito mostra que a Cultura “passou ao lado” da gestão socialista, particularmente no que respeita à defesa, preservação, conservação e rentabilização do Património bracarense.
Braga (disso ninguém duvida!) poderia ser hoje uma das cidades culturalmente mais rentáveis do país, tantos e tão importantes são os seus pólos de interesse patrimonial – cujas raízes penetram no subsolo da nossa história pátria e civilizacional. Porém, a inércia a que esse património ancestral esteve votado durante décadas não permite que Braga seja hoje – e bem merecia sê-lo – uma cidade de referência cultural e turística. E nem mesmo a marcante presença de duas universidades (do Minho e Católica), com as suas inúmeras iniciativas culturais, foi suficiente para “compensar” a morrinha que nos tem assolado…
É, pois, a hora de recentrar a atenção no património cultural bracarense. Não apenas na “devolução” do Theatro Circo à cidade (como preconiza o novo presidente da câmara), mas na preservação, restauro, conservação, valorização e rentabilização turística de tantas e tão ricas estruturas e valências culturais e patrimoniais que desde há muito sobrevivem na modorra do desleixo e da incúria!
Sem prejuízo de tudo o que de bom pode (e deve) ser feito neste âmbito, uma das formas de catapultar Braga para o patamar das “cidades-referência” da cultura portuguesa (e não só!) é apostar fortemente na candidatura do Bom Jesus do Monte a Património Cultural da Humanidade. O empenhamento da autarquia nesse “projeto” é fundamental para a sua concretização – e tal “classificação” relançaria Braga para altos níveis turísticos, os quais inegavelmente constituiriam relevante “leit motiv” para investimentos nas demais peças patrimoniais que ainda nos restam.
A população de Braga alimenta a esperança de que a Cultura e o Património concelhios venham a sofrer uma alteração de 180 graus – assim como alimenta o desejo de que a cidade volte a ter, nestes âmbitos, o prestígio que já a caraterizou em tempos idos.
As novas lideranças protagonizadas pela Dr.ª Lídia Brás Dias (no pelouro da Cultura) e do Prof. Miguel Bandeira (na área do Património) são um ótimo augúrio. Que os “deuses” nos ouçam!




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