Fotografia:
Governo cortador e castrador

Deslumbrada, e ao mesmo tempo ludibriada, com a governação despesista e demagógica de José Sócrates e, agora, flagelada e espoliada pela governação zenónica e cega de Passos Coelho, a classe média, mormente a do funcionalismo público, caminha, a passos largos, para a extinção; o que não é novidade na história sociológica do país e se traduz, na prática, pela existência de muitos muito ricos versus muitos muito pobres.

Dinis Salgado
23 Out 2013

Ora, se uma realidade histórica das nações é a de que o desenvolvimento como o retrocesso, a mudança como a estagnação, a paz como a guerra sempre passam pela bem ou mal sucedida existência da classe média e, fundamentalmente, porque, pela sua posição social intermédia, ela faz a ponte, estabelecendo equilíbrios e limitando conflitos entre os que pouco ou nada têm e os que muito ou muitíssimo possuem, a classe média é, assim, imprescindível ao regular funcionamento das sociedades.
Depois, pelo seu poder de compra e ação inovadora e empreendedora, a classe média é quem mais alavanca a economia e garante a estabilidade e paz social; e, igualmente, dispondo de meios consentâneos a uma vida profissional, familiar e social sustentável e detendo um razoável poder económico, faz poupanças, investe, cria riqueza e alimenta amplas expetativas de futuro.
Assim, não é com a ação que o Governo está a exercer sobre este grupo social que o país pode seguir no rumo certo, seguro e promissor; porque, obedecendo cegamente às diretivas implacáveis da troika, no pressuposto de que é mais fácil e rápido arranjar o dinheiro necessário para tapar o(s) buraco(s), ele corta que corta em salários e pensões, como se estes portugueses responsáveis fossem pela hecatombe nacional; e, não conseguindo mesmo assim estancar a dívida e reduzir o défice, aposta na diminuição drástica, senão mesmo na extinção, dos serviços nacionais de saúde, educação e segurança social.
E, ainda, atrasando ou não sendo capaz de avançar com a reforma do Estado, sempre prometida e apregoada, cada vez mais obstáculos encontra para abater definitivamente o monstro que traz o país, há longo tempo, assustado e deprimido; reforma do Estado que, obviamente, passa pela supressão de muitos departamentos e organismos públicos, pela revisão das PPP, redução do número de deputados, dos membros das forças armadas e da frota automóvel do Estado, pelo fim de todas as subvenções vitalícias e reformas antecipadas dos políticos, pelo corte de mordomias, inclusive dos ex-presidentes da República, dos subsídios de representação e dos chamados suplementos salariais tais como: telemóveis, cartões de crédito e de combustível, casas para férias, contas em agências de viagens e envelopes secretos – situações que sempre fogem ao IRS e à Segurança Social.
Só que estas medidas, a serem tomadas, colidem com interesses próprios ou de grupo e opções e pressões políticas, retirando, assim, ao Governo a coragem e vontade políticas necessárias para as levarem por diante. Assim sendo, estamos perante um Governo avidamente cortador e castrador; cortador de salários, pensões e funções e objetivos nos serviços públicos e na equidade e justiça social; e castrador, porque limitador e impedidor do descobrimento e realização de aptidões, ideais e vontades da maioria do povo.
E quando a promessa era, tão-só, cortar nas gorduras do Estado, pelo caminho que as coisas levam, o Governo só corta que corta mas é na massa muscular dos portugueses, a ponto de lhes estar a cortar, forte e feio, no osso. O que nos leva a praguejar:   
– Porra vai cá uma nortada!
Então, até de hoje a oito.




Notícias relacionadas


Scroll Up