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Da cultura bimbo… ao ambiente digital

Não há muito tempo passava na publicidade televisionada uma referência a uma espécie de marca de pão, que tinha algumas caraterísticas idênticas às da (nossa) cultura mais hodierna: mole, saboroso e relativamente barato… Até havia uma razoável frota de veículos que rolavam pelas estradas, entupindo os mais apressados, que, exasperados, chamavam-lhe uma espécie de alcunha mais ou menos regionalista – “bimbo” – a que um dos visados respondia: “com muito gosto!”…

A. Sílvio Couto
21 Out 2013

Vem isto a propósito duma espécie de comportamento – até de muitos cristãos – que pretende que lhe forneçam – mesmo ao nível doutrinário – algo que não seja muito exigente, sem grande dificuldade e, sobretudo, apetecível a uma maioria com idênticas caraterísticas… Nalguns casos vemos responsáveis – mesmo no interior da Igreja católica – a alinhar nesta boa dose de fatias à bimbo!

= Na era do digital, como ser cristão?
Num tempo – designado por “era digital” – em que se vive mais a interação do que a comunicação, torna-se difícil apresentar a doutrina cristã que não seja por uma vivência pessoal com Cristo, pois, muitas vezes, as pessoas se ficam pelas regras e não entendem as disposições, tanto as interiores, como as exteriores.
Com facilidade encontramos pessoas muito versadas em coisas da área da técnica e pouco no contato e no diálogo de uns com os outros. Há quem domine as mais atualizadas formas da linguagem e do ambiente da internet e se tornaram como que bichos uns para com os outros. Sabe-se muito do que está longe e capta-se pouco daquilo que está ao pé de nós… ou mesmo dentro da nossa própria casa!
Por muito que se pretenda dominar as “artes digitais” bem como os espaços para interagir, isso nunca poderá invalidar a presença das pessoas umas às outras. Podem dar-se dicas para fazer bem essa interação, mas corremos o risco de cercear a “arte do acolhimento” e da presença olhos-nos-olhos!
Apesar do que se tem feito na diversidade da mundividência “das redes digitais e /ou sociais”, não podemos esquecer que o calor dos outros em nós e para connosco é que faz a comunicação e não “essa” mera experiência da tocabilidade num écran ou noutra forma do (dito) mundo virtual…
Embora haja quem pretenda reduzir a pessoa e a mensagem de Jesus ao quadro de leitura – na linguagem de Gutenberg dizia-se “gramática” ou narrativa – do digital, mesmo que codificando ideias e propostas, nada nem ninguém será capaz de substituir o encontro pessoal com Cristo à mera suposição simplista de que tudo é fácil, imediato e sem consequências.
Nem São Paulo teve qualquer conta ou página no facebook e tão pouco Jesus participou nalgum arremedo de twitter…embora certos peritos queiram inovar em matéria de interpretação do tão rico material do Novo Testamento, onde muito do que lemos ainda não entendemos e daquilo que estudamos e escapa-nos o mais singular dessa comunicação: a dimensão comunitária denuncia o egoísmo de tantos dos projetos em análise, pois a força da Igreja não se reduz a devoções, mas à vivências com os outros na força do Espírito Santo…  

= Que cristãos queremos ser e viver?
Diante das imensas potencialidades da “era do digital” queremos que haja cristãos bem formados e melhores executores da mensagem do Evangelho em todos os meios e ambientes.
Bem apetrechados das ferramentas do ambiente da internet queremos lançar mão de novos processos de comunicação onde Cristo e a sua mensagem sejam veiculados com verdade, simplicidade e ousadia.
Apreciando os mais diversos materiais em uso na “era do digital” poderemos estar em rede de comunicação da mais sublime mensagem que ainda hoje é nova: a experiência da ressurreição de Jesus faz-se em ambiente comunitário de forma pessoal e amiga, fraterna e solidária, hoje como ontem e no futuro.

Inseridos num certo tempo do bimbo, queremos continuar a servir Deus e os outros com humildade e exigência, com simplicidade e carinho, em ternura e em compreensão… começando pelos que nos são mais próximos e em círculos alargados de diálogo e paz.




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