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A propósito das atividades extracurriculares

Tenho grandes dúvidas sobre as razões da polémica recentemente gerada em torno do ensino privado. Parece difícil saber quem fala verdade… É corrente a ideia segundo a qual os “colégios particulares” são só para os filhos de ricos. Na verdade, é preciso ter disponibilidade económica para suportar os custos da frequência escolar em tais colégios – e, na atual conjuntura, essa capacidade já nem existe numa classe média que se encontra em situação de “insolvência”.

Albino Gonçalves
21 Out 2013

Que o Estado assuma o reconhecimento do nobre papel das escolas do ensino privado, é indiscutível e sensato. Todavia, o dinheiro do erário público não pode ser exigido ao Estado pelas escolas privadas para determinadas actividades extracurriculares, tais como: prática de equitação, aulas de natação, lições de golfe, passeios paisagísticos para avaliação ambiental, sessões de condução para prevenção rodoviária, etc…
Se o dinheiro público tem de servir para este género de atividades, então que haja “equidade” entre o setor público e o setor privado – e que todos os alunos possam usufruir delas!
É perfeitamente admissível querer dar aos nossos filhos uma formação de qualidade. Mas há atividades que são “supérfluas” se tiverem de ser pagas pelo cidadão comum, considerando o estado de penúria em que se encontram atualmente os bolsos dos portugueses! Ainda para mais tendo em conta que os alunos dos colégios privados são, na sua esmagadora maioria, provenientes de uma classe alta ou média-alta que tem proventos suficientes para custear esse tipo de instrução de elite…
Haverá razões de alguma “queixa” contra as escolas públicas. Mas essas razões são vulgarmente propaladas e reiteradas por uma classe que não gosta de ver os seus filhos “misturados” com os descendentes da plebe. Temem o desaparecimento das mordomias e das boas maneiras!
É incontestável que deve haver parceria do Estado com o sector do ensino privado. Mas, tendo em conta os atuais sacrifícios por que tem de passar a quase totalidade dos portugueses – exige-se, no mínimo, que haja uma triagem rigorosa, disciplinada, responsável e transparente na gestão dos subsídios a atribuir às escolas privadas que pretendem formalizar protocolos com o Governo.
Atente-se que a verba a atribuir a cada uma dessas escolas sai do bolso de milhares de portugueses, que também gostariam de ter os seus filhos em colégios privados – mas que os têm a frequentar as escolas públicas. Isto, sem qualquer menosprezo para estas escolas públicas – que as há também de alto gabarito, como é o caso das que se integram no actual parque escolar da cidade de Braga. Um destes exemplos é a Escola Secundária Alberto Sampaio, onde há um “calendário” muito valioso de actividades extracurriculares, com provas de excelência dadas em áreas como o teatro, quase a custo zero.
E talvez o caso desta Escola seja um exemplo digno de observação e de reflexão – para se incrementarem ainda mais atividades do género na escola pública!




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