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Um olhar em redor

Hoje, e variando de tema como é meu timbre, vou ocupar-me do caso relacionado com o desaparecimento da pequena inglesa Madeleine, ocorrido no Algarve em Maio de 2007. Conforme do conhecimento geral, o casal McCann voltou agora “à carga”, trazendo consigo um certo número de polícias ingleses, que procedem no nosso país a várias investigações convictos de que o assunto se encontra longe do fim. Tudo isto, note-se, sob a protecção do Governo inglês! Por aqui se vê, ou pode avaliar, a cobertura oficial atribuída a este acontecimento e, também, o peso, ou a importância de que desfrutam na Grã-Bretanha os pais da criança desaparecida. Sucederia o mesmo se, em vez do casal MacCann, estivesse em causa um outro qualquer casal inglês. Duvido.

Joaquim Serafim Rodrigues
19 Out 2013

A questão, caro leitor, talvez possa passar por aqui: é que, tanto quanto julgo saber, este casal, face às leis do seu próprio país, seria desde logo considerado responsável e, consequentemente arguido, por não terem protegido convenientemente a pequena Maddie, bem como um seu irmão mais novo, enquanto se divertiam longe de casa às tentas da noite (só lá iam vigiá-los de tempos a tempos), tendo deixado os filhos sozinhos a dormir, sem uma pessoa de confiança a velar por elas. Tratando-se de pessoas endinheiradas, e não de uns turistas vulgares, custa a entender este procedimento, este enorme descuido.
Ainda um pormenor, do meu ponto de vista algo significativo: durante as investigações então em curso a cargo da nossa PJ, na véspera da chegada a Portugal de vários polícias britânicos, trazendo consigo alguns cães pisteiros treinados especialmente para detectarem o odor a cadáver, o casal McCann ausentou-se para Inglaterra. Pergunto: não seria curial que tomassem parte nessas pesquisas, interessadamente, colaborando até naquilo que lhes fosse possível? Porquê, agora, todo este afã?! O facto é que alguns desses cães, segundo li, não saíam de um certo canto do quarto, onde provavelmente a criança, tendo acordado estremunhada, bateu com a cabeça nessa parte do quarto tendo morrido. Mais: esses cães também sinalizaram mais do que uma mala pertencentes a viaturas conhecidas no local…
O inspector Gonçalo Amaral nunca insinuou coisa alguma que afectasse o casal inglês, apenas manteve sempre a convicção de que a pequena Madeleine tinha morrido, nada de novo tendo afirmado portanto. Pedem-lhe agora uma indemnização de 1,2 milhões de euros por difamação? Ou será que pretendem que ele ajude a custear as enormes despesas feitas pelos pais da criança com toda a sua campanha a nível mundial?
Sem vaidade de nenhuma espécie, devo dizer a quem não souber que conheci a Polícia Judiciária por dentro, acompanhando, quando no activo a expensas dos CTT por forma a valorizar-me mais, o último ano do curso de alguns subinspectores, frequentando as seguintes disciplinas: Direito Penal (Dr. Miranda Baptista); Processo Penal (Dr. Rodrigues Maximino); Investigação Criminal (Dr. Garcia Domingues); Organização Judiciária e Policial (Dr. Eduardo Baptista); Psicologia Judiciária (Dr. Strecht Ribeiro); Polícia Científica (Dr. Costa Pereira); Criminologia (Dr. Osbílio Barbas). Estes verdadeiros Mestres, mesmo tendo cessado as suas funções, deixaram lá certamente continuadores à sua altura, os quais em nada ficam a perder face a outros polícias, sejam eles de que país forem. Podem é não dispor dos mesmos meios – o que é diferente.
E termino por hoje.




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