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Beatificação do Padre Brochero

O padre Brochero é o oitavo argentino declarado beato, o primeiro sacerdote do país nessa etapa prévia à declaração de santidade e o primeiro a ser beatificado pelo Papa Francisco. Francisco ofereceu um sino e definiu o dia 16 de Março como festa litúrgica do beato padre Brochero. As autoridades argentinas estimaram que 200.000 pessoas estiveram na Villa Cura Brochero para participar da cerimónia religiosa, entre elas 60 bispos e 1.200 sacerdotes. Também participaram o presidente da câmara dos deputados, Julián Domínguez, em representação da presidente Cristina Kirchner, o governador de Córdoba, José Manuel Sota, o governador de San Juan, José Luis Gioja, e o secretário de Culto, Guillermo Olivieri.

Maria Fernanda Barroca
19 Out 2013

A celebração da beatificação foi presidida pelo prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, cardeal Angelo Amato, na comunidade cujo nome vem do padre que levou o Evangelho e o progresso sobre o dorso de uma mula até os mais necessitados da região.
Uma imagem gigante do primeiro sacerdote argentino beato foi exibida no altar, em meio aos aplausos da multidão. O cardeal Amato anunciou nesse momento a data da festa litúrgica do padre Brochero, 16 de Março, “nos lugares e modos estabelecidos”.
O presidente da Conferência Episcopal Argentina, dom José Maria Arancedo, leu uma carta em que o Papa destaca a figura do beato como “pastor com cheiro de ovelha” e garante que Brochero foi um “pioneiro” da evangelização ao levar a mensagem de Cristo às “periferias existenciais”, tornando-se “pobre entre os pobres”.
Foi apresentado também um vídeo do momento em que o Papa abençoa no Vaticano um sino com a legenda “Brochero, um pastor com cheiro de ovelha”, que será colocado na paróquia de Villa Cura Brochero. Ao terminar o ritual de beatificação, as relíquias do beato foram levadas até o altar pelo menino Nicolás Flores, beneficiado pelo milagre reconhecido para a beatificação do cura gaúcho; os gauchos da Argentina compartilham as mesmas raízes dos genuínos gaúchos do sul do Brasil.
O cardeal Amato descreveu o cura Brochero, na homilia, como um “verdadeiro benfeitor do povo argentino, que promoveu o progresso da sociedade e o bem-estar da comunidade. O seu trabalho em prol da dignificação da pessoa humana provinha da sua santidade, um traço que todos reconheciam nele já em vida (…) Esta beatificação é só um começo para conhecermos o padre Brochero, este sacerdote santo. Vamos imitá-lo e rezar pelas necessidades espirituais e materiais”.
No domingo de manhã, a Celebração Eucarística foi realizada em acção de graças, na esplanada do santuário de Nossa Senhora, onde se encontram os restos do padre gaucho. Dom Santiago Olivera, bispo de Cruz del Eje, encorajou a todos, sacerdotes, religiosas e leigos, a encarnarem o Evangelho na vida pessoal.
Também estiveram presentes na Missa o núncio apostólico, dom Emil Paul a nossa bispos e centenas de sacerdotes. Fiéis de várias regiões da Argentina encheram a praça central da localidade.
Brochero nasceu em 1840 em Carretera Quemada e, como sacerdote, mobilizou milhares de homens e mulheres, camponesas, delinquentes, marginalizados, através de caminhos inóspitos para fazê-los participar dos exercícios espirituais. O padre tinha um forte protagonismo social e agia junto às autoridades para garantir a abertura de estradas, canais, diques e até agências postais e de telégrafo. Também questionava os legisladores da província de Córdoba, que “não se interessavam pelo progresso dos seus com provincianos”, dizia ele, já que não promoviam leis para que o comboio chegasse até aqueles povoados.
O beato João Paulo II declarou-o Venerável em Fevereiro de 2004 e Bento XVI assinou em 20 de Dezembro de 2012 o decreto que reconhece o milagre atribuído à intercessão do cura gaúcho.
Proponho-me para a próxima semana, contar a história do milagre que levou à beatificação do Padre Brochero.

 Nota. Há pouco a nossa TV deu a notícia da condenação de um sacerdote «argentino», por comportamento imoral, insistindo que na altura o Cardeal de Buenos Aires era o actual Papa Francisco. Mas o exemplo desta beatificação do Padre Brochero «argentino», perante 200.000 pessoas passou-lhes despercebido! Que pobreza de fontes informativas tem a nossa TV!




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