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Um devaneio tático

Sendo eu um simples e vulgar adepto, tenho como princípio não usar este espaço para comentar opções táticas do técnico do meu clube. No entanto, o que carateriza um adepto comum, como é o meu caso, é o facto de ser sempre treinador de bancada. É, pois, nessa qualidade de treinador de bancada que me atrevo a imaginar algumas opções possíveis que, nem que fosse por curiosidade, gostava de ver experimentadas no SC de Braga. Aliás, se é criticável a um adepto que emita opiniões destas, muito mais criticável será que se vá para o estádio assobiar e insultar o treinador, como infelizmente tenho visto.

Manuel Cardoso
17 Out 2013

Portanto, gostava que os leitores encarassem este texto como um simples exercício ou devaneio, sem qualquer intenção de me tornar sapateiro a tocar rabecão. Não sou técnico nem nunca serei. Esta é apenas a voz do vulgar e ignorante treinador de bancada.
Nos últimos anos tem-se cimentado a ideia de que o 4.3.3 é o sistema tático ideal. O recurso a este esquema tornou-se uma espécie de remédio para todos os males, até porque o desenho original de três médios e três avançados é suficientemente flexível para adotar diversas variantes possíveis, conforme do decorrer do jogo.
No entanto, os problemas que a nossa equipa tem revelado talvez convide a uma aventura no velhinho 4.4.2. Na verdade, o 4.3.3 funciona muito bem quando temos extremos eficazes, rápidos e laterais que apoiem com sucesso esses extremos. No entanto isso não tem acontecido. Sendo assim, um 4.4.2 clássico poderia, ao mesmo tempo, contribuir para ultrapassar vários dos bloqueios de que a equipa tem padecido: permitiria continuar a usar dois médios de contenção, como Jesualdo Ferreira tanto gosta, com dois destes três jogadores: Mauro, Custódio e Luiz Carlos. Além disso, os extremos não têm funcionado como se esperava: a contratação mais cara da história do SC de Braga, Pardo, não tem correspondido às expectativas; Alan continua a revelar toda a sua classe mas não chega… um sistema de 4.4.2, com dois pontas de lança libertaria esses jogadores das alas para atuarem mais “por dentro”, permitindo um ataque mais apoiado, tendo Alan mais possibilidades de derivar para o eixo, como ele tanto gosta. Além disso, este sistema poderia mais facilmente encaixar um médio de ataque construtor de jogo ofensivo, como Rafa ou Hugo Vieira. Continuo a pensar que estes dois jogadores têm grande futuro no nosso clube desde que consigam encaixar no sistema tático e na filosofia de jogo do técnico.
Por outro lado, nesse 4.4.2, os médios defensivos teriam mais possibilidades de apoiar os defesas laterias no processo defensivo, sabendo-se que nessas zonas a equipa se tem revelado bastante frágil.
Mas, como eu dizia, tudo isto é um devaneio que não deve ser levado a sério; mau grado toda a apreensão a que vamos assistindo continuo a pensar que, de uma forma ou de outra, ainda vamos a tempo de fazer uma excelente época. Se as lesões nos derem uma trégua e a atitude não for tão passiva como no jogo da Madeira, então certamente que voltaremos a ter Guerreiros em Braga.




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