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Santa Hildegarda de Binges – 4.ª doutora da Igreja

No dia 7 de Outubro de 2012, o então Papa, Bento XVI, nomeou dois novos Doutores da Igreja.Referindo-se àqueles que a Igreja assim declara, o Papa escreveu: “O Espírito, que «falou pelos profetas», com os dons da sabedoria e da ciência continua a inspirar homens e mulheres que se empenham na busca da verdade, propondo vias originais de conhecimento e aprofundamento do mistério de Deus, do homem e do mundo. Neste contexto, alegra-me anunciar que no próximo dia 7 de Outubro, no início da assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos, proclamarei São João de Ávila e Santa Hildegarda de Bingen, como Doutores da Igreja universal. (…).

Maria Fernanda Barroca
17 Out 2013

Hildegarda foi monja beneditina no coração da Idade Média alemã, autêntica mestra de teologia e profunda estudiosa das ciências naturais e da música. (…) Mas a santidade da vida e a profundidade da doutrina tornam-nos perenemente actuais: a graça do Espírito Santo, de facto, lançou-os àquela experiência de penetrante compreensão da revelação divina e de inteligente diálogo com o mundo que constituem o horizonte permanente da vida e da acção da Igreja”.
Hildegarda de Bingen nasceu em 1098, em Bermersheim vor der Höhe, décima filha de Hildebert e Mechtild. Desde muito novinha tinha visões místicas, o que aliada à sua frágil saúde, fosse encaminhada, segundo os costumes da época para um mosteiro.
Viveu numa época, em que não era vulgar as mulheres opinarem em política ou religião. Com Hildegarda, tal não aconteceu. Foi monja beneditina, musicóloga, médica, poetisa e escritora.
No mosteiro de Rupertsberg, onde foi mestra tinha como missão combater as heresias que amea-çavam a Igreja. Não se coibiu, com muita coragem, de condenar os vícios e abusos do clero.
Além dos atributos já referidos, foi teóloga e debruçou-se em assuntos complexos, como a criação do homem, a concepção, a estrutura e destino do cosmos, a hierarquia dos anjos, etc. A Universidade de Paris reconheceu-lhe autoridade sobre assuntos religiosos e as suas ideias forma muito difundidas na Inglaterra até ao século XIV.
Na mensagem de proclamação de Santa Hildegarda como doutora da Igreja, Bento XVI disse: “assumiu o carisma beneditino no meio da cultura medieval, foi uma autêntica professora de teologia e estudou aprofundadamente a ciência natural e a música”.
Em 1147, o Papa Eugénio III autorizou-a a divulgar publicamente as suas visões e a falar disso em público. Bento XVI recordou que a partir daí o “prestígio espiritual de Hildegarda cresceu cada vez mais, a ponto de os contemporâneos lhe atribuírem o título de «profeta teutónica».
Até agora a Igreja Católica conta com 33 doutores, entre eles o nosso Santo António e três doutoras: Santa Teresa de Ávila, Santa Catarina de Sena e Santa Teresa do Menino Jesus.
Se na época medieval, Hildegarda teve grande aceitação e prestígio, o que não era reconhecido às mulheres, nos nossos tempos, nós, mulheres podemos tomá-la como exemplo.




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