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O Autodomínio (II)

O sacrifício não é uma virtude reservada a heróis e a santos. Deve ser praticado por todos, pois ele é uma necessidade intrínseca da natureza e uma lei específica da vida. Em contrapartida, os vícios esgotam e exauram a senescência, enfraquecem o coração, ofuscam a inteligência, embrutecem e bestializam o ser humano, destroem as famílias, afastam do progresso os povos subdesenvolvidos e desagregam nações ou impérios prósperos de que a História dá testemunho fértil. O desregramento das atitudes, a dissolução dos costumes e a liberdade exagerada não são princípios de vida nem produzem a verdadeira felicidade.

Artur Gonçalves Fernandes
17 Out 2013

Viver é, antes de mais, um domínio pessoal; é vencer as paixões dissolutas e comportamentos desviantes, tomando como guias a razão e a consciência retamente formada. Em nenhuma época como a nossa, as solicitações para o egoísmo, o hedonismo, a prepotência asquerosa, a devassidão e o labirinto voluptuário, multiplicados pela Comunicação Social, em particular por alguns programas de certos canais televisivos, foram tão insistentes, apelativos e tão docilmente seguidos. Manly Hall escreveu: “Há uma corrente de pensamento que diz não deverem os pais corrigir os filhos. Os pequenos devem crescer e desenvolver-se como as flores no prado. No entanto, a experiência tem demonstrado que as flores silvestres desta natureza se tornam intratáveis porque não aprenderam a controlar-se ou a aceitar a autoridade dos seus pais. A criança não acompanhada torna-se uma criança difícil.” As gerações hodiernas esquecem-se que o ser humano só se desenvolve e adquire a plena maturidade, na medida em que resolve obedecer à voz da consciência e do dever. Na base da educação está a renúncia, o esforço e a organização metódica na vivência diária. É totalmente ilusório e perigoso acreditar que é possível suprimir da educação a pedagogia do esforço e do método. Sem disciplina interior e sem exigência no desempenho profissional, o êxito na vida é impossível. Se os educadores abdicarem desta sua função metodológica, acabarão, mais cedo ou mais tarde, por cair no conformismo ou até no laxismo, favorecendo nos educandos a interiorização do relaxamento, da desmotivação, da indolência, do desnorte e da inépcia.
A corroborar esta tese, vem a crítica demolidora que Duponloup, já adulto, fez a seus pais pela educação altamente permissiva que lhes transmitiram: “As crianças divertem-nos… nós lisonjeamo-las e deixamos que todos as lisonjeiem…alimentamos-lhes todas as fantasias, as pequeninas paixões, mesmo as mais depravadas…De repente, descobrimos nelas, com pavor, uma desoladora secura de espírito, uma depravação profunda, e, por fim, estas lindas crianças transformaram-se em seres odiosos, apercebemo-nos, então, demasiado tarde, que não há seres mais duros, mais soberbos, violentos, egoístas, mais ingratos e odiosos do que estas crianças estragadas pela moleza educativa”.
É normal que, por vezes, surjam certas fraquezas. Mas é preferível enfrentá-las logo de início, para retomar o caminho correto. Temos de estar constantemente de guarda ou de sobreaviso contra todas solicitações laxistas e de desleixo, para evitar, mais tarde, dissabores irreparáveis e de consequências desastrosas na educação dos nossos dependentes ou na nossa própria formação. Temos de nos disciplinar e autodominar no dia a dia da nossa existência. “O freio e a espora fazem um bom cavaleiro.” A autodisciplina é a nossa chave de ouro; sem ela não se pode ser verdadeiramente feliz. A disciplina foi, em última análise, o instrumento de que se serviram todos aqueles que atingiram um alto e honesto patamar de sucesso pessoal e social. A autodisciplina foi a sua arma imbatível na sua luta diária. Como corolário lógico, a autodisciplina faz com que o homem seja ele mesmo e atinja uma perfeita paz de espírito que ninguém lhe poderá arrebatar.




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