Fotografia:
A entrevista do Papa Francisco

No passado sábado, 12 de outubro, o “Diário do Minho” publicou – na íntegra – a entrevista que o Papa Francisco concedeu, há cerca de dois meses, ao sacerdote jesuíta Antonio Spadaro, diretor da influente revista La Civiltà Cattolica, de Roma. Tratou-se, a meu ver, de uma feliz iniciativa do jornal. Não só porque esta foi a primeira grande entrevista concedida pelo Santo Padre desde que assumiu o pontificado, mas por várias outras razões – que passo a explanar.

Victor Blanco de Vasconcellos
17 Out 2013

Esta entrevista permite-nos conhecer melhor a personalidade do Papa Francisco. Sendo praticamente desconhecido pela maioria dos cristãos antes da sua eleição papal (embora na América Latina o modus vivendi do Cardeal Bergoglio fosse já uma referência para muitos crentes…), a entrevista concedida ao padre Spadaro revela-nos um Papa surpreendentemente… humano. Um Papa que humildemente reconhece as suas qualidades e os seus defeitos, assumindo-se como “um pecador para quem Jesus olhou”. Ao mesmo tempo, mostra ser um homem muito culto e amante da arte, que vê na Beleza uma presença viva de Deus!
Por outra parte, nesta entrevista, o Sumo Pontífice, em palavras simples e diretas, levanta um pouco o “véu” do seu projeto de ação, todo ele gravitando em torno da ideia dominante de que a Igreja, mais do que uma instituição recheada de normas e regras, tem o seu epicentro no espírito e nos valores, no amor e na misericórida de Deus (que liberta e salva).
Outro aspeto que, na minha perspetiva, merece especial destaque nesta entrevista é a clara intenção do Papa de “recentrar” a Igreja no seu papel de mãe que a todos ama e acolhe, e no seu papel de pastora que a todos guia e orienta – voltada sobretudo para os pobres, para os humildes, para os angustiados, para os que não têm esperança…
Enfim, trata-se de uma entrevista que merece ser lida, relida e meditada por crentes e não-crentes. Daí a razão por que, a abrir este texto, afirmo ter sido uma “ideia feliz” a sua publicação integral no “Diário do Minho”, abrindo a possibilidade a um maior número de pessoas de poderem apreciar e refletir sobre as palavras do Papa, proferidas num ambiente informal e sincero.
E o facto de aqui sublinhar a palavra integral deve-se à circunstância de considerar muito pertinente que os leitores possam atender ao “contexto” em que determinadas afirmações do Papa são proferidas. Na verdade, após a divulgação desta entrevista pelas publicações dos jesuítas, os meios de comunicação social fizeram-se eco de algumas palavras do Sumo Pontífice – mas retirando essas palavras do contexto em que foram proferidas, o que, em alguns casos, deu origem a interpretações dúbias ou indevidas (às vezes até abusivas), nomeadamente em relação a certos temas que provocam sempre grande impacte nos “media”.
Ora, ao terem acesso à entrevista integral do Papa, os crentes e os não-crentes que se derem ao gosto de a ler perceberão, rapidamente, que muito do que viram nos jornais e nas televisões sobre esta entrevista não corresponde, com exatidão, ao que o Papa Francisco disse e, sobretudo… ao que ele quis dizer!




Notícias relacionadas


Scroll Up