Fotografia:
O Positivismo Reformista de Augusto Comte

De um modo geral, o positivismo é uma corrente de pensamento que limita todo o conhecimento ao científico. Este conhecimento tem, por objeto específico, os fenómenos, tanto internos como externos. São excluídos do conhecimento científico, entre outros, Deus, o fim último do homem, a sua autêntica e objetiva natureza e os apriorismos de Kant. Perante a observação dos fenómenos, a grande preocupação da mente é captar as suas relações, decretar as leis que os regem, aplicar-lhes a régua do método e pendurá-los nas prateleiras das teorias.

Benjamim Araújo
16 Out 2013

O positivismo, ao limitar todo o conhecimento ao científico, isto é, ao conhecimento dos fenómenos, que passam pela nossa experiência, dá azo a que, dentro dele, comecem a correr rolos de dogmatismos, pirâmides de ceticismo e muralhas de agnosticismos, afirma ? o Klimke-Colomer.
Para Comte (1798), os fenómenos apreendidos e saboreados pela nossa experiência, têm a sua raiz nas leis imutáveis da natureza. A função da ciência é descobrir e reduzir as leis imutáveis a uma unidade suprema. Segundo Comte, a ciência vai descobrir, através do progresso do espírito humano, a unidade suprema, o cume mais elevado das leis, ao superar os estados do conhecimento em que o espírito humano se encontrava. Este, liberto dos estados teológico e metafísico, leva o conhecimento a entrar, então, no estado científico, definitivo, denominado por Comte de positivo. É neste estado que se explicita a unidade suprema de todos os fenómenos, isto é, o conhecimento mais perfeito das leis naturais.
O positivismo, segundo o filósofo, apresenta-se, assim, como o único fundamento possível da vida humana individual e social. Ao colocar o infinito na ciência, esta passa a dominar a moral, a religião e a política.
Considero, um tanto ou quanto românticas, todas as afirmações de índole antropológica, bem como de índole teológica e científica, quando gravitam fora das experiências do nosso autêntico ser, cujo eixo, que sustem a humanidade, é a sua corporalidade espiritualizada. Não quero dizer, com isto, que tais afirmações não colham a sua força nas observações sensoriais e nas dinâmicas mentais. Contudo, posso afirmar que tais observações e dinâmicas mentais não foram, por Comte, integradas nos impulsos vitais da nossa autêntica natureza para cumprir, integralmente, as suas funções de socialização, religiosidade e de paz.
Vou pegar no ancinho da observação e vou pôr, em montinhos, aqueles conteúdos explorados por Comte: o conhecimento e a lei dos três estados; a sociologia; a religião da humanidade.
Obcecado pela ciência, Comte, ao deslocar, indevidamente, o infinito para a ciência e ao atribuir-lhe, desajustadamente, o caráter de autónoma, dominadora e controladora da moral, da religião e da política, não só desvirtuou o estatuto da ciência, como a estigmatizou com o selo da carência imperdoável por a não conectar e sintonizar com a sabedoria e a vida da nossa autêntica natureza.
A ciência positiva, segundo creio, assenta na unidade dos conhecimentos sensoriais e mentais. Todos os conhecimentos são operações dinâmicas e estas operações são a manifestação da sabedoria e vida da energia vital da nossa autêntica natureza, verdadeiramente autónoma e livre. É com elas que a ciência, para alcançar a sua maturidade, se tem de integrar, conectar e sintonizar. É pseudociência, a que não respira fundo e que não colabora nem coopera com a vida e a sabedoria ônticas, já imanentes, personalizadas e individualizadas no embrião humano.
O embrião humano, a partir da sua génese, constitui-se, imediatamente, indivíduo e pessoa. Como indivíduo manifesta, existencialmente, a unicidade do seu autêntico ser. Como pessoa, manifesta o relacionamento do seu ser consigo mesmo e, existencialmente, com o seu meio ambiente interior e exterior (o real relacionamento com a própria mãe). Se os cientistas querem cortar-lhe as suas manifestações existenciais, tornam-se réus perante o seu próprio e autêntico ser.
Após todas estas reflexões, vou saltar as barreiras do conhecimento positivo, através da intuição transcendental e da meditação, que disparam para o conhecimento da nossa natureza ôntica e da sua contemplação, que dispara para o ser Divino, o transcendente.




Notícias relacionadas


Scroll Up