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Autárquicas e independentes

Baltazar Canelas (nome fictício por óbvias razões) candidatou-se, nas últimas eleições autárquicas, como independente, à Assembleia de Freguesia da sua terra natal. Todavia, integrou, como número um, a lista de um partido político que viu nele um putativo vencedor; mas, as coisas não correram de feição e Baltazar não foi escolhido pelo povo para comandar os seus destinos.

Dinis Salgado
16 Out 2013

Homem estimado e considerado na aldeia, talvez as coisas fossem diferentes se Baltazar Canelas não se deixasse seduzir pela conversa do partido e concorresse como verdadeiro independente. Porque, mesmo os candidatos não sendo militantes nem simpatizantes de um qualquer partido, ao serem por ele apoiados deixam de ter voz e idiossincrasia próprias para terem a idiossincrasia e voz do partido.
Ora, nas últimas eleições autárquicas significativos foram já os movimentos de cidadãos independentes que, numa clara demonstração de antipartidarismo e manipulação, e alguns bem sucedidos, como o caso de Rui Moreira, ao conquistar a Câmara do Porto, se afirmam como um paradigma que, no futuro, pode fazer a diferença eleitoral do país; e, obviamente, porque o povo cansado, desencantado e revoltado se mostra, assim, com a atuação dos partidos vigentes.
E esse cansaço, revolta e desencanto resulta, tão-só, da forma como os partidos se organizam e funcionam, quase sempre como alfobre de interesses particulares e de grupo, de boys, de seguidismo, dirigismo e compadrio e alheios aos reais interesses, necessidades e anseios do povo; e, igualmente, na aposta que fazem, como único objetivo da conquista do poder, em candidatos populistas, caciques e demagogos que os eleitores topam de ginjeira, como aconteceu com alguns candidatos dinossauros salta-pocinhas que certos partidos, por força da lei de limitação de mandatos, apoiaram para autarquias estranhas à sua origem e residência; e, aqui, os eleitores mostram a sua fiel e verdadeira adesão ao propósito e alcance prático da lei, afastando tais intrusos e de que são amostra exemplar as derrotas de Filipe Menezes, no Porto e de Fernando Seara, em Lisboa.
Pois bem, a lição que, me parece, os partidos políticos e politólogos devem retirar destas eleições autárquicas é o avanço imparável e vitorioso dos candidatos independentes como uma ameaça séria ao seu monopólio político e eleitoral e a necessidade imperiosa de reverem a sua futura atuação; como não será de descartarem a possibilidade de uma urgente revisão eleitoral que alargue as candidaturas independentes às eleições legislativas; porque, a crermos no crescimento sistemático da abstenção, de eleição em eleição, brevemente os partidos políticos correm o sério risco de ficarem a falar sozinhos ou para a parede.
E o que nos porá a praguejar:
– Porra, vai cá uma nortada!
Então, até de hoje a oito.




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