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Que Estado social vamos ter?

Muito se tem falado sobre medidas para acabar com a economia de austeridade, sendo certa a intervenção externa da chamada troika, que nos confronta com um quadro recessivo prolongado, com o aumento do desemprego e das desigualdades, com a perda de direitos sociais e laborais instituindo-se como alguém escrevia recentemente, uma “liberticida economia do medo”. Temos a sensação de remar permanentemente contra a corrente, sentindo que a economia está desligada das pessoas, da vida comum, e do progresso.

J. Carlos Queiroz
15 Out 2013

Vivemos  permanentemente limitados por um violento plano de austeridade que retira poder de compra, confisca parte de reformas e pensões, tendo ainda por referência a necessidade de contrair novos empréstimos a juros proibitivos para uma economia recessiva. Ansiosos mas cumpridores, lá vamos dando sinais de indignação mas sempre olhando o amanhã com sinais de esperança. Cada relatório, cada entrevista ou simples comentário serve para publicitar uma mudança de rumo.
Programas de estabilidade e crescimento, estudos, legislação adequada à nova realidade, são virtudes referidas repetidas vezes, noticiadas à exaustão, exactamente ao contrário do que sucede quando se impõe medidas de austeridade sem antes esclarecer ou explicar, as razões, as causas para  tais medidas. O estado Social preocupa os cidadãos, enquanto o poder político analisa situações e estuda formas para temporariamente o prolongar, sem cuidar da sua sustentabilidade futura. Pode um país que vê diminuir o numero de candidatos às Universidades, rever  o sistema sem cuidar de reflectir das causas e razões da diminuição? Será normal formar milhares de jovens para depois os aconselhar a procurar no exterior trabalho!
Temos jovens licenciados à procura de emprego, mas também professores, engenheiros, enfermeiros e mesmo médicos sem trabalho ou simplesmente desempregados. Que Estado social queremos ter se não cuidamos de desenvolver políticas para criar empregos e o próprio Estado se demite de o fazer, pretendendo reduzir custos através de redução de efectivos, mesmo sabendo que as medidas a tomar aumentam encargos no sistema social! Sentimos por outro lado que as políticas económicas se tornaram reféns dos mercados financeiros com reflexos particularmente  preocupantes  na criação de emprego.
Estamos agora dependentes de ideias liberais ou mesmo neoliberais, que teimosamente reflectem um programa alterado conforme sopram os ventos da Europa. A nossa soberania e a dignidade dos cidadãos são esquecidos, tal como a Constituição da República serve de  argumento para justificar insucessos políticos, mas o Estado Social e as pessoas pertencem ao país real, onde os problemas se levantam e esperam respostas. Fará sentido haver fome em Portugal? Que políticas são elaboradas para dar respostas na luta contra a pobreza? Custa acreditar que apesar da modernidade e da evolução do país, as pessoas percam qualidade de vida e empobreçam sem que os políticos preconizem soluções.
Teremos mesmo que sair do Euro ou existem alternativas para devolver a estabilidade económica ao país e seus cidadãos! A grande questão vai porém continuar sem resposta, que Estado Social vamos ter? Sendo ele importante e fundamental, que medidas foram ou vão ser tomadas, para manter a sua sustentabilidade? Para produzir riqueza o país tem de trabalhar e não apenas desenvolver políticas de desemprego e de redução de despesa em áreas que reflectem mais ou menos emprego.
É tempo de os partidos reverem suas estratégias, da mesma forma que as instituições a sociedade em geral, necessita de repensar esta forma de caminhar num Estado dependente do exterior e endividado, mas que enquanto Estado deve manter a sua soberania e dignidade. Os portugueses têm de continuar a ter trabalho no seu país e o Estado social deve merecer profunda análise e estudo, porque representa a estabilidade económica para pessoas e para o país.




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