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Voz para escutar

Poderão os cidadãos independentes estarem representados na Assembleia da República como já hoje estão nas juntas de freguesia e câmaras municipais? Se a democracia funciona para toda a vontade expressa livremente nas urnas eleitorais, parece-me mais que evidente que sim. Atenção à ditadura partidária, os seus dias podem estar contados. A nova era já começou que o digam os votos nulos, brancos e abstenções e os independentes. Todos somados são um número impressionante. O que nos levou a isto foi a prática política dos políticos dos atuais partidos: continuam na velha pecha de prometer e não cumprir.

Paulo Fafe
14 Out 2013

Há tempos isso era caminho e estratégia para eleição, mas os eleitores estão mais esclarecidos; já não engolem toda a papa que lhes mostram. Tornaram-se um partido de protesto sem precisarem de ser de esquerda. Talvez este “partido de protesto” venha a aumentar nas europeias e depois nas legislativas. O povo cansou das bolas de futebol, das lapiseiras, dos baralhos de cartas, das agendas com as cores do partido, dos comícios e festas. Estas chupetas já não calam a boca dos que querem mais ações e menos demagogia. O eleitorado não é um bando de néscios de boa boca! O eleitorado mais velho está descrente da política e dos políticos e os mais novos são ateus de qualquer política. Fizeram-nos ateus e a culpa é somente dos políticos atuais. A democracia que temos e praticamos está a tornar-se num bem residual ou algo que diz muito a quem viveu em ditadura e que nada diz a quem nasceu em democracia. Falem verdade ao povo, deixem-se de promessas fantasistas, não pintem cor-de-rosa o que é negro. O povo percebe mais do que julgam. Querem um exemplo muito atual e que dá razão a quem não acredita nos políticos? Portugal tem estado numa situação dificílima quanto às contas do estado. Pois bem, o que se percebe cá fora, é que os partidos da oposição, principalmente o PS, não querem ajudar Portugal. O governo puxa para um lado e os da oposição puxam em sentido contrário. O que gostaríamos de ver era os partidos entenderem–se para a miséria em que vivemos, era vermos o interesse nacional acima do interesse partidário, era vermos como eles esqueciam eleições para valorizar a soberania económica de Portuga. Mas não é nada disto que se vê e sente; o que se vê e sente é que a cada sinal de melhoria da governação, os contrários enraivecidos ficam furiosos e apressados em desvalorizar os sucessos, esquecendo-se que a sua voz não fica entre as nossas fronteiras, ao invés, transporta-se para lá onde a credibilidade se joga e seus berros transformam-se em incertezas e hesitações que em nada ajudam ao investimento no nosso país. Pois fiquem sabendo uma coisa muito séria porque verdadeira: os partidos que fizessem um acordo de regime ganhariam a confiança dos portugueses e recolheriam os benefícios dessa atitude nas urnas eleitorais. O PS que vai ser governo em 2015, se não for antes, teria a ganhar com este acordo, uma vez que o mesmo se manteria inalterável durante a sua governação. E o PS não negará certamente que vai precisar deste pacto de regime. Não se entende como não aponta já para esse tempo. Se fossem os independentes não hesitariam. Eis a diferença. A sociedade portuguesa está a organizar-se fora dos partidos. A curto prazo exigirão que a sua representatividade se expresse na Assembleia da República no respeito pelos princípios da independência do sujeito e da essência da democracia política. Para já a voz não tem ouvidos na assembleia da república, é uma voz sem eco, mas tempos virão em que terá fatalmente de se fazer ouvir. O povo escuta-a.




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