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Síntese entre “Fé e Cultura”(1)

A cultura actual é, como não poderia deixar de ser, a cultura do homem de hoje, com os seus extraordinários avanços tecnológicos, as suas facilidades de comunicação, mas também com os seus problemas. Vivemos numa sociedade pluralista cuja visão muitas vezes nos confunde, surgindo assim as inevitáveis interrogações: Como poderemos conciliar a nossa identidade e, ao mesmo tempo, construir o nosso futuro, sem abdicar da fé e da razão? Como ser cristão no século XXI?

Maria Helena H. Marques
14 Out 2013

Precisamos de nos convencer de que o pluralismo cultural não constitui um problema para os cristãos, mas sim uma realidade com a qual contamos, como cidadãos correntes que somos. Os últimos Papas, João Paulo II e Bento XVI e, mais recentemente, o Papa Francisco, têm-nos incentivado repetidamente a levar a cabo a nova evangelização, também da cultura.
Não temos razões para ter medo.
Na Carta Apostólica “Novo milénio ineunte” o Papa João Paulo II, afirma que a condição de um pluralismo cultural e religioso mais acentuado, como se previu e já se constata na sociedade do novo milénio, pode converter-se em uma importante oportunidade de estabelecer a paz. Considera que “a priori”, “a globalização não é positiva nem negativa. Ela será aquilo que dela se fizer. Nenhum sistema é um fim em si mesmo, e é necessário insistir sobre o facto de que a globalização, assim como qualquer outro sistema, deve estar ao serviço da pessoa humana, da solidariedade e do bem comum.” (Discurso do Papa de 27-IV-01).
O Papa na Carta apostólica “Novo milénio ineunte”, n.º 50, considera ainda que o verdadeiro problema é o individualismo egoísta, pelo que convida a inverter essa tendência. Convida a uma nova “fantasia da caridade” que se manifeste não apenas na eficácia dos socorros prestados, mas na capacidade de pensar e ser solidário com quem sofre. Neste sentido, o que pode e deve fomentar-se no mundo actual – com a ajuda da ciência, da tecnologia, das artes e das facilidades de comunicação – é a globalização da caridade. E não haverá solidariedade global sem solidariedade pessoal.
No entanto, temos de reconhecer que de modo geral, a sociedade actual se caracteriza pela preocupação da imagem, pela aparência, e a verdade é considerada como coisa secundária ou mesmo inconveniente, antiquada. Aceita-se a realidade com um encolher de ombros…
Mas não temos a menor dúvida de que sem a verdade, não podemos viver a coerência de Assim sendo, que fazer? Que fazer para cultivar a verdade e ser coerentes com ela?!
Qualquer intelectual cristão, coerente e responsável, sente-se comprometido com a procura e a transmissão da verdade, pelo que não deseja conviver com a mentira, nem com a frivolidade.
Por conseguinte é, por tudo isso, que os cristãos são incómodos para o mundo dos interesses, onde só contam o poder, o dinheiro e os símbolos de riqueza.
Mas neste nosso mundo são também muitos – no fundo, de uma maneira ou de outra, todos – os que “têm saudades” da verdade, dessa verdade cristalina, límpida, magnífica! E, por outro lado, quem é que não deseja a companhia de um amigo sincero, que diz a verdade e não engana nem é egoísta, que ajuda e, se for necessário, corrige? “Dizer a verdade com caridade”, é o lema cristão que pode saciar a sede deste nosso mundo…
Porque é evidente que a sociedade actual, embora aparentemente, se manifeste afastada de ideais, na realidade, os homens e as mulheres de hoje, têm fome de Deus. Isto mesmo o tem reconhecido os sucessivos Papas, ao afirmarem que estamos próximos de iniciar “uma nova Primavera Cristã”. Porque “Jesus Cristo é, como sempre, a novidade permanente para onde marcamos as nossas metas, também as do século XXI, que se resumem em encher de sentido cristão a vida de cada dia”. 




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