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Um olhar em redor

Em tempos idos, quando os nossos cantores tinham voz, e dispensavam aquelas três ou quatro garotas semi-despidas atrás de si, que se requebram todas numa excitação de batuque africano, tivemos canções belíssimas interpretadas a preceito e, por isso, jamais esquecidas. Agora que a cor laranja sofreu politicamente um forte colapso apurados que foram os resultados finais destas recentes eleições autárquicas, o meu pensamento, ligado ainda àquela introdução relativa aos cantores actuais, é dominado por essa inesquecível “Minha laranja amarga e doce / Meu poema, / Feito de gomos de saudade”, de Fernando Tordo, sem desprimor para quaisquer outras desse tempo. Mas aqui foi a cor que prevaleceu.

Joaquim Serafim Rodrigues
12 Out 2013

Tal como tivemos também essa maravilhosa “Laranja mecânica” holandesa, de Johan Cruyff (lá está a cor outra vez!) que, futebolisticamente falando, espalhou a sua classe pelos mais diversos estádios do Mundo.
Segundo alguns, o laranja é uma cor alegre e representa a estimulação da mente e da criatividade. É uma cor que traz renovação – embora o célebre pintor Van Gogh tenha dito que o laranja é a cor da insanidade?.
Contudo, retomando as autárquicas, não me atrevo a ir tão longe: fico-me, apenas, pela evidente falta de criatividade (renovação quanto a ideias nem é bom falar) que caracteriza e se vai acentuando a cada dia que passa no que respeita a esse partido laranja ainda no poder, embora encostado ao outro que, por sua vez, o encostou à parede, assim conseguindo o líder deste último os seus objectivos, graças aos seus por demais conhecidos malabarismos, consubstanciados desta vez num “sai e não sai”, tendo por fim entrado sem ter chegado a sair. Alguém percebeu? Melhor só talvez num circo, que é naquilo em que transformaram presentemente a Assembleia da República, num mau circo, devo acrescentar.
Prosseguindo: mais do que um repúdio saído desse escrutínio (embora sem efeitos práticos como se sabe), o que os portugueses demonstraram inequivocamente ao actual governo é que já não o suportam. Por isso o cartão “vermelho” com que o brindaram! Mas eles fingem não o ter visto, agarrados às suas cores, que é como quem diz, aos seus lugares, certos da cobertura que o chefe de Estado lhes dá. Este, aproveitando–se da boa conjuntura económica por ele próprio apregoada, passeou-se pela Escandinávia, mais exactamente pela Suécia, trazendo de lá, quem sabe!, algum intercâmbio de peles que em nada nos ajudaria: eles, desfazendo-se das que revestem os ursos, abundantes naquelas regiões próximas do Árctico; e nós?, se já nem da nossa própria pele dispomos, arrancada que nos tem sido aos poucos por um primeiro-ministro e seus sequazes, despóticos e convencidos ainda na continuação deste descalabro uma vez findos os seus mandatos? Não foi essa a conclusão que tiraram, manifestando-a, não obstante o citado cartão vermelho que os eleitores agora lhe mostraram?
Aqui chegado, perguntarão alguns que não me conhecem bem: mas, afinal, com esta mistura de cores, qual é, afinal, a do nosso cronista? Calma, prezado leitor, não tome a “nuvem por Juno”. É que, politicamente independente, tenho um partido, sim: o meu País!




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