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Com que intenção se recorre ao uso das meias verdades?

Numa entrevista que o Papa Francisco deu, referiu que a Igreja deve falar menos de “aborto, homossexualidade e contraceptivos”, porque todos “conhecem qual é a sua posição, que é a da Igreja” e devemos debruçarmo-nos mais sobre coisas que levem a Deus. Como a Comunicação social oral se ficou só pela primeira frase, e as pessoas lêem cada vez menos, muitas ficaram com os ouvidos cheios de meias verdades.

Maria Fernanda Barroca
12 Out 2013

A afirmação do Papa dizendo que o seu pensamento é o da Igreja, já não lhes chegou ficando só com a «impressão» que o Papa até aprova o aborto, até aprova os contraceptivos e quanto à homossexualidade não captaram que o Papa não condena os homossexuais, pois nasceram com essa tendência e ele não se julga mandatado para julgar o que Deus fez. Não aprova, claro, os comportamentos desviantes, que podem ser combatidos.
Se alguém nasce com tendências cleptomaníacas, deve tentar combatê-las e não pode ser marginalizado por isso.
Ora a entrevista que o Papa deu no dia 19 de Agosto na Casa de Santa Marta, onde vive, aos seus irmãos jesuítas, a dado passo afirma: (…) Não podemos insistir somente sobre questões ligadas ao aborto, ao casamento homossexual e ao uso dos métodos contraceptivos”.
Uma vez uma pessoa, de modo provocatório, diz o Papa, perguntou-me se aprovava a homossexualidade. Eu respondi com outra pergunta: “Diz-me: Deus quando olha para uma pessoa homossexual, aprova a sua existência ou rejeita-a, condenando-a?” E a esse propósito faz uma consideração maravilhosa e comovente: “O confessionário não é uma sala de tortura, mas um lugar de misericórdia, no qual o Senhor nos estimula a fazermos o melhor que pudermos. (…) Se uma mulher carregou consigo um matrimónio fracassado, no qual chegou a abortar. Depois essa mulher voltou a casar e agora está serena, com cinco filhos. O aborto pesa-lhe muito e está sinceramente arrependida. Gostaria de avançar na vida cristã. O que faz o confessor?”
“Devemos, pois, encontrar um novo equilíbrio; de outro modo, mesmo o edifício moral da Igreja corre o risco de cair como um castelo de cartas, de perder a frescura e o perfume do Evangelho. A proposta evangélica deve ser mais simples, profunda, irradiante. É desta proposta que vêm depois as consequências morais”.
Ora no dia 20 de Setembro, o Papa Francisco, no Vaticano, condenou a prática do aborto, defendendo uma «cultura de vida» que respeite por igual todas as pessoas “desde o primeiro instante da sua concepção”.
O Papa falava num Encontro com Associações de Médicos Católicos e disse-lhes: “Caros amigos médicos, vós que sois chamados a ocupar-vos da vida humana na sua fase inicial, recordai a todos, com actos e palavras, que esta é sempre, em todas as suas fases e em qualquer idade, sagrada e é sempre de qualidade”. «Temo que a Medicina perca a identidade de “servidora da vida” perante a “desorientação cultural” que atribui às pessoas novos direitos e se esquece de “tutelar a vida como valor primário e direito primordial de todos os homens”. “Que o fim último do agir médico continue sempre a ser a defesa e a promoção da vida”».
E volto à pergunta inicial: “Com que intenção se recorre ao uso das meias verdades”?




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