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É “A” é “B” é “ABC”

A minha ligação ao desporto bracarense começou quando, na década de setenta, vindo do Gerês para estudar no Liceu Sá de Miranda, aos finais de semana acompanhava alguns jogos do futebol de formação e da equipa sénior do SCB. Depois, voltei a ter uma ligação mais próxima, quando já licenciado e a lecionar por cá, fui convidado a integrar a equipa técnica de andebol do SCB. Casado com uma andebolista também, o andebol passou a ser o meu 2.º desporto.

Carlos Mangas
11 Out 2013

Integrando depois o corpo técnico do futebol de formação do SCB, mantive pela proximidade emocional e física, uma ligação estreita ao Flávio Sá Leite. Acompanhava sistematicamente o ABC nos jogos em casa, e fora, fui a alguns, um dos quais, o inesquecível FCP-ABC que originou a partir daí, o famoso “apaga a luz” sempre que o FCP vinha jogar a Braga, e se encontrava a perder. Fiz questão que os meus filhos tivessem a sua iniciação desportiva no ABC por reconhecer também, a excelência do trabalho de formação ali realizado. Mas, a que propósito esta conversa? Bem, isto é uma espécie de “mea culpa” por nestes últimos anos, eu, e muitos outros que enchíamos o Flávio Sá Leite termos andado arredados do mesmo. Também penso que a mudança do SCB para o estádio AXA (em detrimento do 1.º de Maio), terá feito alguma mossa, pois lembro-me de inúmeras vezes em que saíamos do 1.º de Maio diretamente para o Sá Leite. A ida do SCB para o AXA foi assim como quando dois irmãos siameses se separam e cada um tem de fazer a sua vida. Talvez o sucesso do SCB nestes últimos anos, quer a nível nacional quer nas frequentes noites europeias proporcionadas à cidade, tenha levado a que nós, como seres ávidos de sucesso, em vez de apoiarmos os dois, nos tenhamos dedicado a apoiar apenas, quem brilhava mais.
Senti a primeira chamada para voltar ao pavilhão, com a repentina morte do sr. Donner. Incrível como o desaparecimento de alguém com quem não tinha relação pessoal, a não ser cumprimento circunstancial de quem trabalha em locais próximos (Flávio Sá Leite versus campo da ponte), mexeu com o reavivar do sentimento, ABC.
Esta semana então, decidi que tinha chegado a hora. ABC-SCP numa quarta-feira sem concorrência futebolística, não havia justificação para não ir. Passei a meio da tarde para adquirir os ingressos e juntamente com a família, fomos matar saudades. Não só do ABC mas também do desportivismo que geralmente impera nos jogos de andebol. Já tinha saudades de ver adversários cumprimentarem-se com gestos de afeto já com o jogo a decorrer, principalmente aqueles que nos duelos individuais se iriam encontrar mais vezes; de ver/ouvir apoio incessante ao clube, independentemente do resultado; de ver, no final do jogo, os jogadores individualmente a cumprimentarem os espetadores que da bancada se debruçavam para o campo; e, porque não dizê-lo, já tinha saudades também de vibrar a sério durante 60 minutos e acabar feliz com uma vitória conquistada nos últimos segundos, o que valoriza ainda mais a qualidade do jogo, dos vencedores e dos vencidos.
Por tudo isto, deixo aqui um repto à cidade: o Flávio Sá Leite e o ABC têm saudades dos bracarenses e os bracarenses, como portugueses que são, devem ir lá matar saudades.




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