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Assombrados com nosso corpo

Quando nascemos, de olhos fechados, é a boca o nosso primeiro sentido útil, aquele que nos permite alimentar-nos e sobreviver. Aos poucos, o mundo vai-se tornando mais amplo, sobretudo quando os olhos começam a ver. O nosso primeiro assombro dirige-se para as nossas mãos. Levamos horas embevecidos a olhá-las e move-las… a descobri-las… a conhecê-las. Que sucederá no nosso nascimento para a vida eterna, na nossa morte, a cuja meditação somos convidados no mês de Novembro? De um modo geral, todos temos a intuição de que o nosso espírito, a nossa alma, é imortal; e temos a certeza de que o nosso corpo se decomporá até “ser pó”, porque o constatámos em entes queridos.

Isabel Vasco Costa
11 Out 2013

Porém, para quem tem Fé, os nossos corpos ressuscitarão no final do mundo para se unirem às almas que os animaram. As pessoas permanecerão como foram, mas purificadas.
Referir-me-ei apenas aquelas que alcançaram a santidade e gozam da visão divina. O amor que ofereceram a Deus, mediante a sua vontade livre baseada na Fé, manifestar-se-á: as almas, já purificadas no purgatório, animarão os corpos com os dons próprios do amor: a beleza e perfeição das pessoas felizes e enamoradas, uma leveza nos movimentos que lhes permitirá atravessar obstáculos materiais (como aconteceu a Jesus ressuscitado), uma luminosidade ou brilho (a auréola) que manifesta a dignidade das pessoas “grandes” e que virá, calculo eu, da visão do próprio Deus, como acontecia a Moisés depois de falar cara a cara com Ihavé (Êxodo 34, 29-35).
E as roupas? Sim, é uma pergunta feminina, mas permitam-me que continue. Os corpos ressuscitados usarão roupas e acessórios? Não sabemos, mas Cristo apareceu aos discípulos de Emaús como viajante (Lc 24,15); Maria Madalena confundiu-o com o hortelão (Jo 20,15); no cenáculo, permitiu a Tomé que tocasse as suas chagas (Jo 20, 27), o que leva a pensar que se apresentou com uma túnica aberta à frente. Tudo isto sugere que Jesus estava vestido. S. Pedro de Alcântara apareceu a Santa Teresa de Ávila com o seu hábito de frade. As aparições da Virgem Maria são as mais frequentes e, no que respeita às vestes, as mais conhecidas. O branco predomina, em Lourdes o vestido tem uma faixa azul. No Apocalipse, S. João descreve-a com honras de rainha com uma coroa de doze estrelas. Porém, na visão do inferno, os pastorinhos de Fátima não mencionam as roupas, mas admiram-se com a falta de controle das pessoas sobre os seus corpos que são atirados pelas chamas de um lado para o outro, como se a força da gravidade não existisse. Estará isto relacionado com a afirmação de Nossa Senhora: “O pecado da carne é aquele que leva mais pessoas para o inferno”?
Estes factos levam-me a pensar que o modo de trajar faz parte da identidade da pessoa, do que ela foi, da forma como se santificou através do seu corpo. Assim, os religiosos têm aparecido gloriosos com os seus hábitos, pois foram as roupas que usaram como testemunho da sua entrega a Deus e a Virgem Maria, que passou na terra como a Serva do Senhor, aparece como Rainha de extrema beleza e dignidade.
No final do mundo, veremos a Deus tal como é e parece-me que olharemos a beleza dos homens, como “reflexos” do Seu amor, cheios de dignidade e senhorio. E ficaremos deslumbrados.




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