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Consolidar o sistema democrático

Não há democracia sem partidos. Infelizmente, porém, a forma como às vezes se exerce a atividade partidária mais contribui para desacreditar do que para enobrecer a democracia. Porque nem sempre se coloca o bem comum acima dos interesses partidários. Porque nem sempre se reconhece o mérito dos que militam noutro partido ou professam outra ideologia. Porque à hora de distribuir pelouros e confiar responsabilidades se é incapaz de estender o olhar para além dos muros do próprio partido ou do grupo de amigos, nem sempre escolhendo os mais competentes e os mais capazes.

Silva Araújo
10 Out 2013

Porque se comete o erro de identificar competência com militância partidária, quando pode acontecer de, à sombra desta, se promoverem incompetências ou se satisfazerem desejos que nunca deveriam ser satisfeitos.
 «Compete aos profissionais da política consolidar o sistema democrático, pela sua honestidade, competência e espírito de serviço», lê-se no comunicado do Conselho Permanente da Conferência Episcopal, publicado a propósito das últimas eleições autárquicas. Mas isto não se consegue com gente impreparada ou oportunista. A nobre arte da política não se compadece com a irresponsabilidade, nem com o egoísmo interesseiro, nem com a busca de privilégios e de mordomias.
Continua oportuna a recomendação do Vaticano II: «Os que são ou podem tornar-se aptos para exercer a difícil e muito nobre arte da política, preparem-se para ela; e procurem exercê-la sem pensar no interesse próprio ou em vantagens materiais» (n.º 75 de Gaudium et Spes).
 O serviço às comunidades não deve estar separado de um conjunto de princípios éticos que é imperioso saber respeitar. A política não deve ser a arte de faltar à verdade ou de enganar os cidadãos com promessas irrealizáveis e discursos demagógicos.
A propósito das comemorações do 5 de Outubro insistiu-se uma vez mais na ética republicana. É mais que legítimo perguntar: em que tem consistido tal ética e que frutos tem produzido?
 Os políticos devem ser julgados pelos seus atos e o bem comum exige que este juízo se não faça apenas à boca das urnas.
Se houver políticos ou gestores públicos que malbaratam dinheiros da comunidade o bem comum não exige que sejam responsabilizados por isso? Quem prejudica pessoas ou instituições que tem o dever de defender e de servir não terá a obrigação moral de compensar os lesados?
 Que as assembleias de freguesia ou municipais exerçam um verdadeiro controlo sobre a forma como o poder está a ser exercido. Que quem delas faz parte sinta o dever de defender os
reais interesses das populações em vez de se considerar na obrigação de aplaudir as propostas ou a atuação dos militantes do seu partido, sem antes ajuizar do seu mérito ou demérito.
Que os eleitos se não limitem a agirem como autómatos, erguendo ou baixando o braço conforme as instruções do líder partidário.
Que se dê voz aos cidadãos. Que nas assembleias de freguesia ou municipais haja tempo para que o comum dos cidadãos possa participar. Que se não reserve para as intervenções do público o período final das sessões, às vezes já de madrugada, quando quem as devia ouvir já lá não está.
E que os cidadãos, feitas as eleições, se não desmobilizem. Que continuem a exercer o direito/dever de cidadania aplaudindo o que é de aplaudir, censurando o que merece censura, alertando para problemas e situações que uma correta gestão dos dinheiros públicos deve solucionar e corrigir.




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