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As obras do Alívio

Quando era criança, há muitos, muitos anos, havia (e há) na minha terra um belo templo, o Mosteiro do Alívio que andava sempre em obras. Lembro-me de ouvir dizer (nunca soube se era verdade ou não) que se parassem as obras, o Estado tomava conta do Mosteiro. De maneira que aquilo eram as obras de Santa Engrácia à moda de Soutelo. Pois o SC de Braga desta época faz-me lembrar o Mosteiro de Nossa Senhora do Alívio nesses tempos. Prestes a ser nacionalizado? Não, não é isso, é que está sempre em obras!

Manuel Cardoso
10 Out 2013

Não preciso de dizer mais uma vez que tenho uma certa admiração pelo treinador que contratámos; o Professor sabe muito mais de futebol do que eu e, se continua a “fazer obras” na equipa, lá terá as suas mais válidas razões.
O que é certo é que há coisas que se tornam difíceis ao entendimento do adepto comum, como é o meu caso.
Há coisas que não entendo e, pior que isso, são coisas que ninguém nos explica. Nove jogos oficiais já se efetuaram, sete deles na Liga. Quer isto dizer que estamos prestes a atingir um quarto do campeonato. E, durante este tempo todo tivemos sempre alterações na equipa. Jesualdo Ferreira ainda não definiu o tal onze-base e, entretanto, vamos perdendo pontos e fazendo exibições do tipo “valha-me Deus”. Ou seja, o povo começa a ficar ansioso. As obras nunca mais acabam e lá estão os três estarolas nos três primeiros lugares da classificação. Tudo como “dantes”, tudo na santa paz que os guardiões da tradição ansiavam: os que vendem jornais, os que têm mais adeptos do que cidadãos deste país lá estão, cantando e rindo.
Para o adepto comum custa muito entender como é que na época passada protestávamos contra as estratégias do treinador porque a equipa não sabia defender e, neste momento, verificamos que a equipa tem dificuldades em todos os setores do terreno.
No entanto, esta crise de resultados e de exibições que temos visto leva-me a pensar em algo bem mais profundo: será que o verdadeiro SC Braga é este, o clube destinado a lutar pela Liga Europa, condenado a não esperar mais que dos sobejos dos tais “grandes”? Não estaremos nós a colocar as nossas expetativas acima do razoável? Afinal de contas, o orçamento continua a ser de pouco mais de uma terça parte do que o Sporting de Lisboa, por exemplo.
Custa um pouco admitir isto mas começo a chegar à conclusão que o maior erro não terá sido da equipa técnica mas de todos nós, adeptos mas também dirigentes, que partimos para esta época com o objetivo de conseguir um lugar de apuramento para a Champions. Não teremos nós sonhado demasiado alto, tendo em conta que reduzimos o investimento e ficamos sem alguns dos melhores jogadores?
No entanto, o que o futebol tem de mais interessante é a sua imprevisibilidade. Portanto, não espantaria ninguém se daqui por duas ou três jornadas a realidade fosse outra e o nosso SC de Braga estivesse já no tão almejado pódio. Vamos acreditar que sim. Entretanto, vamos sonhando, que é a única coisa que podemos fazer de momento…




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