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A satisfação das necessidades (II) – A lei do autodomínio

Na sequência do tema ventilado no artigo anterior e com ele relacionado, enquadra-se o princípio do autodomínio. A satisfação das necessidades básicas e a seleção criteriosa dos desejos e das inclinações implica uma força de autodomínio pessoal. O homem constrói-se ou destrói-se a si mesmo consoante controla as suas paixões e emoções. Enquanto os animais podem esbanjar a sua força para concretizar os seus impulsos físicos sempre que os sente, o homem deve canalizá-los para fins mais produtivos, mais elevados e mais nobres que a sua mera satisfação.

Artur Gonçalves Fernandes
10 Out 2013

Ninguém se tornou ilustre por fazer o que lhe apetecia, mas sim porque se submeteu às leis que regem o sector em que se notabilizou. O autodomínio é sempre recompensado com uma força que dá alegria interior inexprimível e silenciosa que se transforma no tom dominante da vida. O autodomínio é a qualidade que distingue e caracteriza os mais aptos para sobreviverem melhor, gozando de uma tranquilidade interior inigualável, permanente e superior a qualquer outro tipo de prazer terreno. Nunca houve, nem pode haver, uma vida feliz sem autodomínio, racional e correto, dos impulsos inferiores da natureza humana; sem ele a vida é inconcebível. O mais relevante atributo do homem, como ser moral, é a faculdade de autodomínio. A vitória mais importante e mais nobre do homem é a conquista de si mesmo. Temos de aprender, pela repetição diária dos mesmos atos ou exercícios, a estabelecer e a aceitar a ordem e a disciplina na nossa vida e a sermos senhores de nós próprios.
Nas últimas décadas, tem vindo a degradar-se este espírito de disciplina, de respeito e de ordem, tanto na família, como na escola e na sociedade. Os princípios de certas correntes psicológicas modernas do “não reprimir” e do “aprender em plena autonomia” implicam um crescimento sem qualquer espécie de inibições. E o resultado está à vista de todos; impera a irreverência, a falta de respeito por si e pelos outros, os roubos, os insultos, os homicídios, os suicídios, a violência de variados tipos e uma libertinagem já muito generalizada por esse mundo fora. E, se não houver uma recuperação dos valores éticos e humanos, num futuro não muito longínquo esta civilização acabará por se destruir como aconteceu já a muitas outras. O homem pode tornar-se o pior animal de rapina se viver sem limitações de ordem moral e social. O liberalismo selvagem e sem restrições é o prenúncio do desastre civilizacional de qualquer nação. Dizia o Papa Leão XIII: “Quando uma sociedade entra em decadência, o melhor conselho a dar aos que a pretendem salvar é fazê-la voltar aos princípios em que foi fundada.” Lares sem autoridade paterna, oração e disciplina, são as escolas onde estão a ser treinados os futuros anarquistas. A força vem da disciplina equilibrada e só dela. “Nunca encontrei ninguém que me desse tanto trabalho como eu próprio” – escreveu D. L. Moody. A nossa capacidade para dizer “não” determina a capacidade para dizer “sim”. Muitas vezes, temos de saber sacrificar coisas insignificantes para podermos preservar as mais importantes. Devemos estabelecer normas criteriosas e prioridades no nosso dia a dia. O autodomínio emerge da própria natureza humana e, portanto, da lei da vida, uma vez que num ser constituído por diversos elementos, há sempre um dominante que coordena os restantes. O homem só cresce e progride, na medida em que aceita seguir e obedecer às leis fundamentais da vida, o que exige a renúncia a certos prazeres, complementada, diariamente, por um regime de vida metódico e disciplinado. Para evitarmos grandes dissabores a nós próprios e aos nossos vindouros, é imperioso resistir a muitos dos nossos impulsos e desejos dissonantes. E a grande recompensa é tornarmo-nos uns virtuosos na arte de viver.




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