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Maldito dinheiro

Quem não se lembra de, em criança, ter trocado, por exemplo, piões por cromos da bola ou berlindes por pão com marmelada? Ou, inclusive, ver os vizinhos a trocar batatas por milho, feijões por hortaliça ou grão-de-bico por azeitonas? Pois bem, é demasiada controversa a origem da moeda como expressão económica. Admite-se, no entanto, que seria entre os séculos VII e VI a. C. que o rei de Creso, na Líbia, primeiramente mandou cunhar uma moeda, Todavia, só mais tarde, no império Persa, foi difundida moeda cunhada com a efigie de um rei.

Dinis Salgado
9 Out 2013

Rezam as crónicas que, na época dos Descobrimentos, os nossos navegadores encontraram formas variadas de troca de produtos naturais: a malagueta era a mais utilizada como moeda de troca, bem como os escravos, peles de onça, conchas de moluscos, cruzes de Santo André de cobre ou ferro e diversos tamanhos e valores, barras de sal-gema, vasilhas de cerâmica, pontas de lança e até dentes de animais.
Era, assim, que a economia natural, admitindo toda a espécie de bens como meios de permuta, realizava perfeitamente a comercialização e dava curso à expressão económica. Até que a institucionalização do dinheiro, como forma de troca, compra e venda, veio mudar o rumo e as leis da Economia.
E pior ainda. Desde que os homens inventaram o dinheiro, nunca mais tiveram sossego. A ponto de, hoje, se ter transformado em vil metal, no maldito dinheiro. Por dinheiro se traficam seres humanos, se desmembram impérios, se declaram guerras, se explora, se mata, se vende a honra, se pratica lenocínio, se compram consciências, traições e silêncios.
Por dinheiro se luta nas ruas, há greves e falências nas empresas, se abatem governos, se fazem revoluções. E, até, o criado mata o dono, o operário o patrão, o filho o pai e a criatura nega o Criador.
Por isso, diariamente, os meios de comunicação social palco são de histórias, conflitos e dramas, tendo sempre o dinheiro como motivo e móbil. E, assim, nos põe a pensar na trágica e triste condição do Homem que, de dono e senhor, a servidor e escravo passou do maldito dinheiro, do vil metal.
E seguramente nos leva a praguejar:
– Porra, vai cá uma nortada!
Então, até de hoje a oito.




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