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Em Braga mandam os bracarenses

Será uma tarefa árdua e difícil, mas não impossível, aquela que Ricardo Rio irá ter pela frente no seu primeiro mandato como presidente da Câmara Municipal desta Augusta cidade de Braga. E ninguém melhor do que ele sabe o quanto lhe custou vencer as dificuldades que obstavam para aqui chegar. Só a sua persistência, teimosia e um adquirido traquejo, se constituíram ingredientes para se embrenhar numa luta desigual, dados os hábitos e vícios enraizados que incorporaram toda uma forma de exercício político nesta autarquia criados ao longo dos 37 anos, para obter a chave do sucesso.

Narciso Mendes
9 Out 2013

Obviamente, que para além dos mecanismos próprios de fazer política no país, o PS tem sido capaz de esconder, de forma exímia, as rivalidades  existentes entre os seus pares, encenando essa paz podre com cordialidade, afetividade, sorrisos e abraços para o povo ver. Basta que atentemos em António Costa, em Lisboa, com Seguro atravessado na garganta como futuro primeiro-ministro. Ou, então, em Braga com Mesquita Machado a ver a Presidência da CMB fugir a Vítor Sousa, candidato a quem muitos militantes socialistas não perdoaram o “arregimentar” de jovens inscritos para derrotar António Braga. Sem dúvida melhor candidato, a meu ver. O que, de certo modo, veio facilitar esta histórica mudança com a vitória da coligação “Juntos por Braga” e de Rio.
O município bracarense, durante a governação socialista, teve uma legião de munícipes, servidores e leais à sua cor partidária, com alguns vassalos sempre fiéis ao chefe, ao longo do seu reinado, os quais lhe deram sustentabilidade através de uma cultura municipal de cariz rude e discriminatório. Só olhares pouco atentos, ao que se passou na última campanha eleitoral, é que não se aperceberam da visibilidade dada aos bajuladores e acríticos a idolatrarem, como coautores e de forma narcisista, a sua própria obra, pelo que  sempre detestaram as críticas dos inteligentes e sabedores.
Só com a elevação dos níveis culturais, através de políticas municipais para aí direcionadas, se revolucionarão as mudanças de mentalidades, se esbaterão o défice democrático evidente e a ausência do exercício de cidadania latente. Motivo pelo qual a Universidade deverá constituir-se o motor que impulsionará essa revolução.
A autarquia bracarense vai levar alguns anos a libertar-se dessa mentalidade medíocre; a democratizar-se; a desmistificar uma política municipal praticada desde 1976, voltada para a sua clientela partidária, com todo o folclore, e a voltar-se para todos, sem exceção. Pelo que foi nesse sentido que os eleitores deram o seu “grito do Ipiranga”, em 29 de setembro, através do seu voto nas urnas, com a mensagem de que “em Braga mandam os bracarenses”. O que vai também de encontro à que nos chegou desse novo norte, para regenerar a ação política nesta Augusta cidade, com grandes benefícios a todos os níveis. Por isso, fará todo o sentido afirmar que, apesar das cores políticas em presença,“o nosso partido  também tem de ser Braga”. Só assim se revelará uma massa crítica na defesa dos interesses de todos os munícipes e das respetivas freguesias, pelos quais nos deveremos bater.
De forma alguma se pretenderá escamotear o valor do legado que Mesquita Machado nos deixa; contudo muito fogo de vista foi atirado ao ar para incauto ver, do qual agora todos teremos de apanhar as canas, devido aos muitos milhões de euros desperdiçados em fracos projetos, inaugurados à pressa, mas sem futuro. Daí o muito que haverá para fazer e corrigir. E a tarefa será tanto mais difícil quantos mais buracos orçamentais existirem nos cofres municipais. Porém, é por estarmos perante um lutador e bracarense de gema que, como presidente recém-eleito e novo “guerreiro do Minho”, conseguirá vencer essas adversidades, colocando Braga no lugar que merece.




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