Fotografia:
A Europa no futuro vista por jovens alunos

O jornal ENCONTRO do Agrupamento de Escolas Francisco de Holanda, de Guimarães, venceu o concurso “A Europa no Futuro”, promovido pelo Jornal PÚBLICO e pela Rede de Bibliotecas Escolares, em parceria com o Gabinete de Informação Europeu em Portugal. À iniciativa presidiram três objetivos: 1) “promover uma reflexão sobre a Europa no futuro, imaginando como se desejaria que ela fosse e que lugar essas gerações mais jovens pretendem ter nela”; 2) fazer do jornal escolar um instrumento cívico para a discussão de temas relevantes; 3) estimular a prática de um jornalismo escolar crítico e imaginativo”.

Narciso Machado
9 Out 2013

Porém, os ensinamentos a retirar da história mais recente da Europa ajudará, sem dúvida, na construção desse futuro e que todos os jovens devem conhecer.
Não é exagerado dizer que a Europa no séc. XX está carregada de perturbações. Começa com a guerra de 1914-1918, conhece a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a descolonização, a construção da Comunidade Económica Europeia (CEE), os imensos progressos técnicos, constituindo um tempo comparável ao renascimento.
No âmbito das relações do indivíduo com a sociedade, a Europa do séc. XX foi marcada por duas ideo-
logias de massas: comunismo e o fascismo. Ambas culminam em duas formas de crenças ou atitudes coletivas, por motivos opostos. O comunismo preconiza que o indivíduo só se pode realizar dentro de um processo histórico de emancipação coletiva, mas engendra o culto da personalidade dos líderes revolucionários. Por sua vez, o fascismo exalta a personalidade do chefe ­– o“duce” ou o “fuhrer” – para cair no culto da nação ou da raça. O comunismo via nas democracias burguesas um simulacro de liberdade e de igualdade em nome da perspetiva de uma sociedade sem classes que realizaria uma igualdade finalmente real por meio da abolição da propriedade privada e do sistema capitalista.
A vitória sobre o nazismo voltou a dar uma grande legitimidade às democracias ocidentais, cujos Estados se tornaram no mundo livre perante o bloco soviético. A alternativa para estas duas conceções ideológicas consiste em renovar o pensamento da justiça dentro de uma perspetiva reformista, na conciliação entre os princípios do liberalismo político e económico com as preocupações sociais. O pensamento do filósofo americano contemporâneo, John Rawls, na sua obra “Uma Teoria da Justiça”, é um exemplo, ao debater e ao procurar encontrar critérios para saber se uma sociedade é ou não justa, no âmbito das democracias ocidentais, confrontadas que estão com duas teses: esquerda e direita políticas. A primeira a exigir uma forte intervenção do Estado, de modo a obter-se uma “justiça social” de compensação das desigualdades. A segunda, a defender que essa forte intervenção sobrecarrega o Estado e os encargos das empresas, atentando contra a possibilidade de todos terem mais êxito numa sociedade de liberdade económica.
Afigura-se que ao resultado da racionalidade de John Rawls há que acrescentar os valores morais e éticos, funcionando como fatores de correção, de modo a permitir a cooperação entre as pessoas de condições económicas diferentes.
O séc. XX deu lugar, simultaneamente, ao entusiasmo e ao horror porque a par dos grandes progressos alcançados em todos os domínios, na segunda metade do século (vg exploração espacial e a chegada do homem à lua), também ocorreram crimes de uma violência inusitada (vg holocausto e os gulag) com que o Homem se negou a si mesmo, em nome de uma certa ideia do homem, da raça ou do social.
Relativamente ao séc. XXI, no rol dos factos mais importantes ocorridos nesta primeira década, destacam-se o terrorismo, a crise ambiental e a crise económica e financeira emanada do “sub-prime” nos EUA, em 2008. Em consequência dessa crise, a União Europeia (UE) atravessa um momento difícil, não tendo ainda encontrado meios para lhe responder de forma eficaz. Perante a gravidade da situação, levantam-se vozes que anunciam o fim do euro e até o desmembramento da UE, enquanto outros recomendam o federalismo com uma resposta conjunta dos Estados-membros, de modo a encontrar mecanismos que permitam prever, evitar ou corrigir futuras crises.
O rumo que a Europa possa levar neste séc. XXI dependerá muito da transmissão ou não dos valores culturais e humanistas da civilização europeia.




Notícias relacionadas


Scroll Up