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No rescaldo das Eleições – Breve reflexão

Volvidas as Eleições Autárquicas, Portugal transpôs com êxito mais uma difícil etapa do período de dominação a que tem estado sujeito pela “troika” (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu). Esta afirmação baseia-se nas enormes dificuldades que o país teve de vencer para chegar aos dias de hoje em clima de perfeita tranquilidade. Para o exemplificar chega recordar os desmesurados esforços de ajustamento levados a efeito pela generalidade da população portuguesa nas mais diversas áreas, na sequência das reformas impostas por aquela tutela estrangeira e lembrar as peripécias que o Governo teve de superar para as fazer cumprir.

J. M. Gonçalves de Oliveira
8 Out 2013

Basta evocar alguns episódios da nossa história recente, como algumas greves que não passaram detentativas de desestabilização social, para aquilatar da razão deste juízo.
Ora, as eleições locais do passado dia 29 de setembro constituíram uma prova insofismável de responsabilidade e maturidade cívica do povo português que nunca é demais realçar.
Em tempo de muita penúria e de grandes adversidades, por certo, desiludiu-se quem pensava fazer deste ato eleitoral um plebiscito ao caminho que nos foi imposto e cujo final parece cada vez mais próximo.
O povo soube fazer as suas escolhas e não se deixou confundir. Se nos debruçarmos com isenção sobre os resultados apurados verificamos que a tão apregoa-
da vitória do Partido Socialista se resume a cerca de 72.265 votos em relação ao total recolhido pelo PSD e CDS/
/PP, separados ou em coligação. Em relação a municípios importantes que mudaram de mãos, se é verdade que V. N. de Gaia e Sintra passaram para o PS, também não se pode esquecer que Guarda e Braga transitaram para os partidos do Governo com confortável maioria. Nesta escala de vencedores e vencidos, há por certo análises para todos os gostos, mas na observação fria dos números há triunfos que não podem ser escamoteados – o resultado da CDU (Coligação Democrática Unitária – PCP-PEV),no Alentejo e distrito de Setúbal e a recuperação autárquica do CDS/PP, que passou a governar 5 câmaras e a participar no governo de outras 19, em coligação com o PSD.
Aqui chegados, não será demais enaltecer o comportamento do povo português e acreditar que vamos ser capazes de transpor com sucesso o período doloroso destes últimos dois anos.
O último ato eleitoral foi mais uma barreira ultrapassada, mas há outros sinais que nos fazem acalentar a esperança de que o fim da ignóbil submissão pode chegar no tempo determinado. A descolagem dos índices económicos e a lenta mas progressiva descida do desemprego são sintomas evidentes de uma cura que se pretende sustentada e duradoura.
O tempo presente perspetiva sinais fundados de esperança. Porém, pairam no horizonte ainda algumas nuvens que podem causar tormenta.
A par de várias opiniões de personalidades de reconhecido mérito vaticinando um feliz desenlace na atual situação de dependência do país, há avisos de algumas outras aludindo para perigos ainda latentes.
Ao Governo compete conduzir as ações necessárias para que o cumprimento das cláusulas inscritas no Memorando celebrado com os nossos credores seja um sucesso. Contudo, a responsabilidade deste êxito depende fortemente do comportamento que vier a ter o principal subscritor do acordo com a “troika” – o Partido Socialista – e da interpretação que o Tribunal Constitucional vier a fazer das normas e leis que tiver de apreciar.
Em tempos verdadeiramente excecionais como o que vivemos exige-se comportamentos excecionais. Mais do que nunca, impõe-se que cada um dos portugueses evoque o seu mais fundo patriotismo, que as instituições detentoras do poder em que estão representados não o deixem de ter presente na hora de decidir e não venham a comprometer o elevado sacrifício de todo um povo.
Acredito que o bom senso vai prevalecer e que no desfecho desta autêntica tormenta, muito mais do que honras e glórias em disputa, é Portugal que ganhará com a retoma da sua plena liberdade.




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