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Muitos independentes e muitas abstenções

1 Muitas listas independentes é descrença dos partidos). Nas “Autárquicas” de 2013, os independentes concorreram em elevado número de municípios e ganharam em 13 (mais 6 que há 4 anos). Este dado, mesmo que o independente seja um “transfuga” dum qualquer partido, reflete de algum modo o cada vez menor prestígio que a via democrática “ortodoxa” colhe entre o eleitorado.

Eduardo Tomás Alves
8 Out 2013

2 – Recorde de abstenções). Praticamente 1 em cada 2 eleitores (47%) “ficou em casa”, absteve-se. Contra a minha vontade, vi-me na necessidade absoluta de também ter de ser um destes. Com a devida vénia a doutíssimas opiniões diferentes (como a do Monsenhor Silva Araújo, que respeito muitíssimo) achei que tinha o dever moral de me abster. É que, nenhum dos candidatos à câmara da terra onde vivo, o Porto, falou sequer em resolver os graves problemas de poluição sonora dos 2 meses de festas no verão; nem de transferir uma nova e mal cheirosa ETAR que passou a existir no meu bairro de 20 mil moradores. E isto, já sem falar nas brutais taxas de IMI que pessoas como eu, que sempre discordaram do despesismo de Sócrates, têm agora de pagar para manter o país à tona. Se ninguém nos ouve ou respeita no que mais nos interessa, que obrigação temos de respeitar, de ir votar? É pena, mas é assim.
3 – Vitória de Ricardo Rio e vitória moral de Rui Rio). As portas da vetusta e gloriosa cidade de Braga, capital de Suevos e de Romanos, abriram-se finalmente para Ricardo Rio (PSD). O qual poderá finalmente mostrar o que vale (e vale bastante) e ambicionar mais tarde outros voos. No Porto, os 2 principais concorrentes eram meus conterrâneos. Um deles, o médico Luís Filipe Meneses (Lopes) era da terra onde nasceu a minha Mãe (Ovar) e para mais, muito amigo dum colega meu, o dr. A. Amorim Pereira. Só que, apareceu com ideias despesistas e revolucionárias (p. ex. “unir” o Porto a Gaia). O outro candidato era o independente Rui (Hofle) Moreira, apoiado pelo CDS e pelo cessante Rui Rio. A família daquele é quase minha vizinha em S. João da Madeira, esteve ligada ao fabrico de colchões e teve aliás negócios com uma minha  bisavó. E Rui Moreira ganhou. Sendo o Porto uma cidade algo maçónica e lamentavelmente com poucas simpatias pela Alemanha, é curioso que tenha agora um autarca com algum sangue alemão, depois de ter tido outro (Rio) que falava bem alemão…
4 – De Costa a Costa, ou uma história com 3 Costas). Alguma razão terá afinal o vetusto J. N. Pinto da Costa ao criticar Lisboa, dizendo que é uma cidade dominada pelos Mouros. O patriotismo de P. da Costa parece, porém que se fica por aí, uma vez que é casado com uma brasileira de gema e só contrata estrelas de regiões tropicais para o seu FCP. Quanto a quem manda na Lisboa moderna, contudo, parece que o “insigne dragão” diz bem; e que terá vencido agora o “voto étnico” ,isso parece evidente. Entre um inteligentíssimo e hiper-activo viseense, português de gema (F. Seara), com provas dadas de 3 mandatos em Sintra; e um pachorrento e calculista descendente das costas superiores (brâmanes) da antiga Índia portuguesa (partido de Salcete, Margão, na bela, velha e nobre Goa), preferiu largamente este último (52 contra 18%!). Esquecendo também que Costa é razoavelmente incompetente, impreparado, esotérico e sectário, embora simpático e cortês. Veja-se o seu novo sistema de trânsito no Marquês e Avenida. Veja-se o caro e tolo projecto de “requalificação” ribeirinha. Veja-se a sua crença (quando foi 2 anos ministro de Sócrates) de que a maioria dos incêndios era por negligência. E a intenção de espiar com câmaras, cada km de auto-estrada. A vitória de Costa em Lisboa e a fusão da PT com a Oi nas selvas do Brasil, às mãos do igualmente índico Zeinal Bava, permitem que se possa chamar à última semana uma verdadeira  “semana dourada” para o Hindustão.
Já em Viana do Lima, um outro Costa, menor, foi também reeleito, digno sucessor do saudoso e divertido Defensor Moura, inimigo mortal de Cavacos e de toureiros, protector de todos os gados bovinos. E vegetariano, presumo.
5 – Subida do CDS e do PCP). As coligações e as “uniões” de freguesias tornam mais difícil o cálculo, mas uma coisa é líquida: o PCP mais os Verdes (CDU) subiu de 28 para 34 as câmaras que domina, estreando-se  Bernardino Soares em Loures; e o CDS sobe de 1 (P. de Lima) para 5 (V. de Cambra, Albergaria, Santana e Velas). O BE, mal liderado após a partida de Louçã, quase desaparece do mapa autárquico. E na Madeira, a traição de Albuquerque a Jardim já deu os seus podres frutos.
6 – Extinções de “dinossáurios” e vitórias e derrotas mais marcantes). Devido à lei, foram proibidos de voltar a concorrer os autarcas de Braga, Viseu, V. do Conde, Porto, Poiares, etc.. Por motivos diferentes, também o foram os populares Isaltino Morais (preso, mas que tem continuador em Paulo Vistas) e o notabilíssimo Macário Correia (Faro). Pessoalmente, saúdo as vitórias de Vistas (Oeiras), de Luís Carneiro (Baião) e Ribau Esteves (Aveiro). E a derrota de Moita Flores. E lastimo as vitórias de Basílio Horta (PS, Sintra) ou de Álvaro Amaro (PSD, Guarda).
7 – O significado duvidoso da vitória do PS). Nas “Autárquicas” escolhem-se principalmente pessoas; e com frequência, partidos que não são aqueles em que votamos nas “Legislativas”. Para mais, os independentes e as muitas coligações distorcem qualquer análise séria dos resultados. O  PS, agora liderado por “uma pessoa normal”, A. J. Seguro, ganhou, fruto do peso de um voto de protesto pela austeridade. Só que o protesto devia ter sido antes, quando ainda era tempo de evitar as ruinosas obras de Sócrates, que duplicaram a nossa Dívida Pública em apenas 6 anos…




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