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Merecer o melhor

Saí de casa sem assunto para a crónica. No autocarro, olhei para o exterior na ânsia de que alguma coisa satisfizesse a minha necessidade. Rapidamente percebi que tinha encontrado a solução. A resposta ao meu querer é o que poderão ler nos parágrafos seguintes. Um dos cartazes das eleições autárquicas da Coligação “Juntos por Braga”, o mais conseguido, na minha modesta opinião, dizia (diz ainda) que Braga merece o melhor. Creio que estamos todos de acordo.

Luís Martins
8 Out 2013

A capital de distrito merece a melhor personalidade para conduzir os destinos dos bracarenses, o que implica pensar no presente e no futuro e ao mesmo tempo reparar, dentro do possível, os estragos do passado. Merecer o melhor é sempre a razão de ser dos dirigentes. Não só durante a campanha, mas sobretudo depois, para se poder confirmar no dia a dia de cada cidadão que a cada promessa corresponde uma realização. Não existem razões para não acreditar que assim será no concelho de Braga com o novo presidente eleito. Antes pelo contrário.
No país também devia (deve) ser assim. Há dois anos e alguns poucos meses, Passos Coelho apresentou-se como o melhor. O país merecia ter o melhor primeiro-ministro. Na altura, aquele era (parecia ser) o melhor chefe do Executivo para Portugal. Os portugueses votaram para que assim fosse. Portugal merecia (e merece) o melhor. O lema da campanha de então não foi o utilizado no último acto eleitoral pela coligação “Juntos por Braga”, mas podia muito bem ser. É que na encruzilhada em que o país estava, não era tolerável ser de outra forma. O país estava à beira duma hecatombe. Mas as pessoas mudam. Algumas, muito mesmo. Acontece-nos a todos. No entanto, não podemos deixar de honrar os nossos compromissos, sob pena de nos descredibilizarmos e de desmerecermos a consideração dos nossos pares. Ao mais alto nível da governação de um país não é diferente. É ainda mais aguda a exigência deste comportamento. Nessa linha da hierarquia, o cumprimento escrupuloso do mandato é mesmo um imperativo. Só assim a política e os partidos que a fazem podem merecer o respeito dos eleitores. Quando tal não acontece, a reacção pode ser surpreendente. Atente-se ao que se passou, a propósito, com a amplitude do número de votos das candidaturas independentes nas recentes eleições autárquicas. Sete por cento dos eleitores sacudiram das suas preferências os partidos que a democracia viabilizou e apoia financeiramente! Há uma diferença entre ser e parecer que os políticos não podem deixar de ter sempre presente na actividade política. Falhar nos compromissos com os eleitores é algo inaceitável. Os eleitores, hoje, mais cépticos do que nunca, estão atentos e não perdoarão facilmente a mentira.
Concluo no mesmo registo com que comecei. Um pouco antes de iniciar este texto, atravessei a cidade por um dos acessos do lado norte e verifiquei que algumas estruturas para colocação de publicidade já não continham os outdoors
da recente campanha eleitoral. As mensagens já lá não estão e espera-se agora que, ao serem rasgados, amachucados e deitados ao lixo os materiais, a palavra dada aos eleitores não desapareça com aqueles. As promessas estão ainda no nosso ouvido. A palavra dada deve voltar a ser o que era. Ter isso em bom suporte é de importância capital. Bem sei que deixar todas as estruturas preenchidas como estiveram até há pouco seria uma verdadeira poluição visual, mas deixar nem que seja uma na cidade – podia ser junto à Câmara Municipal – e em cada uma das freguesias, talvez fizesse algum sentido. Mais para os governantes do que para os cidadãos. Estes sabem quando o poder não se comporta bem, quando se afasta do discurso eleitoral. Aqueles são quem precisa de ter sempre presente as promessas e os compromissos propalados. Nada melhor do que serem confrontados diariamente com as mensagens que os ajudaram a captar a adesão de eleitores e que depois se confirmaram em votos. Um voto exige responsabilidade, muitos votos exigem muito mais.




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