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Putin para Nobel da Paz?

Foi com grande ceticismo que recebemos a notícia da proposta para atribuição do Prémio Nobel da Paz ao presidente da Rússia, Vladimir Putin. Sabe-se que este prémio é decidido por um comité nomeado pelo parlamento norueguês. Esta atribuição é constituída por uma medalha com a efigie do seu fundador, Alfred Nobel, um diploma alusivo ao evento e uma verba que rondará os 10 milhões de coroas suecas, o que equivale a uma soma superior a um milhão de euros. Durante este mês de outubro os nomes dos laureados serão tornados públicos. Os prémios desde 1902 são formalmente entregues pelo Rei da Suécia, em Oslo.

Albino Gonçalves
7 Out 2013

O presidente russo tem revelado forte insensibilidade aos problemas sociais e humanitários que têm assolado algumas das regiões mais criticas do mundo, como o caso mais recente da Síria, atualmente num cenário a guerra civil sem fim à vista, provocando já centenas de milhares de mortes e milhões de refugiados. O seu próprio país, a que preside, é acusado frequentemente de violar os mais elementares direitos humanos, com relevância para a perseguição aos seus adversários políticos. Recordemos o mais célebre caso “Pussy Riot”, uma banda musical acusada de hooliganismo e de incitamento ao ódio, após os seus membros terem cantado uma “oração punk” na Catedral de Cristo Salvador, em Moscovo. Este tema musical foi interpretada pela justiça russa como um clarividente ataque à Igreja Ortodoxa e ao presidente Vladimir Putin, contestando as suas políticas nefastas e miseráveis para o povo russo.
Uma das três jovens que compõe a banda está detida na Colónia Penal nº 14, encontrando-se em greve de fome em razão da violência aplicada às reclusas. Ela tem denunciado os processos violentos ali praticados, afirmando que as reclusas vivem permanentemente aterrorizadas com os procedimentos das autoridades prisionais. E tem feito passar para fora dos “muros da prisão” as situações de desfalecimento por escravatura e a brutalidade ali praticada.
Nesta colónia prisional, o trabalho de 17 a 18 horas diárias é forçado, numa lógica de produção exigida numa fábrica de uniformes da polícia, sem usufruir de qualquer remuneração. Nesta colónia penal, as reclusas estão privadas de qualquer direito ou reclamação hierárquica. Não existe um organismo de supervisão e ninguém se atreve a contradizer estes métodos de flagelação…
Nadezhda Tolokonnikova, acusa a administração da unidade prisional, onde cumpre uma pena de dois anos de prisão, de tratar as reclusas como “gado”, frequentemente espancadas até à morte. Estamos, pois, perante um sistema político centrado nas regras de submissão dos cidadãos às vontades e apetites do poder político que governa a Rússia!
Neste contexto – e já para não falarmos de outras situações semelhantes, a maioria delas escondida da opinião pública mundial –, custa acreditar que o nome de Vladimir Putin mereça um Prémio Nobel da Paz, especialmente nos “moldes” como este galardão foi instituído no testamento de Alfred Nobel.




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