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O ensino superior

O concurso ao ensino superior deste ano escolar, primeira e segunda fases, deixaram-me um mundo de interrogações, não só pelas vagas ainda sobrantes, mas também e principalmente pela existência de cursos sem qualquer pretendente. Todos sabemos que há múltiplos fatores a considerar e o económico não é o menor, mas, oiço dizer a miúde, , vale a pena ter um curso superior? Os que o têm estão a ser pagos a níveis de indiferenciados. Para ganhar o que o mercado oferece aos doutores , justifica ser doutor?

Paulo Fafe
7 Out 2013

Ser engenheiro ou arquiteto para estar na caixa de um supermercado, ou ser enfermeiro ou professor para ganhar menos que uma mulher a dias, não tem, nem o devido retorno, quer do esforço intelectual despendido, quer do dinheiro investido. Investimento sem retorno é desperdício.
Dir-me-ão que sem curso superior é pior, mas tê-lo sem serventia na área, é apostar num bilhete furado. Os recém-licenciados procuram a emigração como tábua de salvação, mas mesmo isso há de chegar à saturação, e depois para que serve o curso? Poderemos fechar as universidades portuguesas? Seria a maior traição que poderíamos fazer ao país. A universidade portuguesa, passará inevitavelmente pelo repensar de cursos com maiores saídas profissionais. Os profissionais que aprendem nas oficinas, acabam por ser os mais procurados no mundo do trabalho. O ensino superior não pode reconverter-se em oficinas, nem o professor tem de ser o mestre da oficina. Mas o  aluno que nada sabe do mundo do trabalho, torna-se um peso morto na sociedade porque o não absorve. O mundo do trabalho, emprega candidatos “com prática”. Como há de ter prática quem nunca começa? Então quem começa, ou traz essa prática do ensino superior, ou nunca entrará no mundo do mercado. A universidade deve ter um sistema  dual, anual: teoria e prática. À falta de oficinas no ensino superior o caminho será de procurar parcerias com empresas onde essa prática se aplique. Na parceria a universidade compromete-se a investigar para inovar, garantindo à empresa, como recompensa, os resultados da sua investigação. Caberá às empresas industrializar as inovações e comercializá-las. Em Portugal não há empresas suficientes para acolher os estudantes. Mas  não é necessário que se protocole apenas em Portugal. Qualquer empresa gostaria de ter uma investigação apenas pelo preço de uns estágios. Quando o lucro é recíproco o negócio foi bem feito. Outro aspeto é que estamos a gastar dinheiro com a manutenção de cursos que não precisam de ser ministrados presencialmente. O austríaco Ivan Illich dispensava professores com bons livros em bibliotecas acessíveis. Hoje temos televisão, computadores, iphone, ipad, skype, teleconferências via satélite e uma Universidade Aberta, esta, ainda que mal-amada, pouco conhecida e subaproveitada. Até a socialização, de que falam os sociólogos, ficaria presente através das redes sociais. Quantos licenciados conhecemos cujas salas de aula foram as mesas dos cafés! Para quê, então, ter salas e professores ocupando espaços e tempo, em cursos que não obrigam presença discente? Não chegaria que o aluno se apresentasse a exame e aí fizesse prova de sabedoria? Os professores do ensino superior devem estar ocupadíssimos na investigação da sua área e na publicação dos suportes tecnológicos respetivos.  Cada universidade deveria ter a sua “internet” no seu centro de apoio cibernético.




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