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Economia paralela: recurso ou má-fé?

A economia paralela já supera, em Portugal, os 44 mil milhões de euros, significando cerca de 26% da riqueza produzida no país e que foge aos impostos. Segundo um estudo da faculdade de economia do Porto, as razões para este fenómeno são o aumento da carga fiscal e o desemprego. A economia paralela manifesta-se nos seguintes setores e campos de atividade: produção ilegal, produção oculta (subdeclarada ou subterrânea), produção informal, produção para autoconsumo e produção encoberta…atingindo comércio e serviços, indústria e agricultura…

A. Sílvio Couto
7 Out 2013

Bastará referir que a economia paralela, em Portugal, era de 9,3% em 1970 e atingiu 26,74%, em 2012. A média da OCDE, em 2010, era de 16,5%!…
Segundo ainda o estudo que citamos são apontadas algumas propostas de combate à economia paralela nos seguintes aspetos: necessidade de maior transparência na gestão de recursos públicos, educação da sociedade civil, justiça rápida e eficaz, combate à fraude empresarial, incentivo à utilização de meios eletrónicos e combate ao branqueamento de capitais…
– Mesmo que de forma inconsciente todos nós somos ou podemos ser fautores de alguma economia paralela, bastará não pedirmos fatura, recolhendo benesses para pagar (ilusoriamente) menos, irmos na conversa de alguém que nos ludibria com descontos mais ou menos falsos… Por certo cado um de nós já colaborou nesta grande empresa de fuga aos impostos nem que não seja de forma indireta ou tácita.
 
– Como poderemos, então, combater este cancro da nossa cultura e, sobretudo, da nossa economia? Quais são ou devem ser as etapas de luta contra este inimigo comum subterrâneo do nosso eu coletivo? Não podemos assobiar para o lado como se não tivéssemos nada a ver com isto, pois, em cada um de nós, portuguesmente falando, há como que uma espécie de aldabrão disfarçado!…

– Atendendo à complexidade deste ‘nosso’ fenómeno da economia paralela, temos de propor medidas que façam com que sintamos a vida comum do país e com que sejamos educados para a construção do bem comum, onde cada um de nós procura estar ao serviço dos outros e em que todos vivamos numa intercomunhão de interesses e não subjugados às mesquinhezes pessoais, ideológicas ou de grupo.

– Para mal do nosso presente e como que hipotecando ainda o futuro coletivo, não tivemos de nos unir para reconstruirmos o nosso país como a maior da parte dos países da Europa no após-segunda guerra mundial, onde os impostos e a força de trabalho foram colocados ao serviço dos outros. A psicologia de minifúndio – mais mental e cultural do que simplesmente económica e territorial – tem minado a nossa atenção uns para com os outros, pois vivemos acentuadamente num egoísmo demasiado estrutural e cultural.

– Embora tentemos fazer do Estado uma espécie de ‘pai previdente’, a sistemática fuga aos impostos é algo revelador da nossa cultura e mentalidade, manifestando-se em múltiplas consequências… Com efeito, criou-se, em Portugal, uma certa tendência de que o Estado – sobretudo na concretização executiva do governo – deve fazer quase tudo, levando, muitas vezes, pessoas e instituições, coletividades e empresas, indivíduos e associações… a serem mais reclamantes do que contribuintes para o bem-estar de todos, escondendo-se, porventura, sob a capa de uma maior ou menor consciência das tarefas que lhes são acometidas… desde que recebam muito e paguem o mínimo ou nada.

– Se dissermos que o ‘nosso’ montante da fuga aos impostos na economia paralela corresponde a metade da verba com que temos estado a ser ajudados pelas entidades estrangeiras, que nos emprestaram dinheiro para sobrevivermos com alguma dignidade e pagarmos as nossas despesas públicas, então, teremos de compreender que nos exijam o pagamento com juros altos, pois quem não sabe cuidar do que é seu como poderá ser de confiança no tocante aos bens alheios?




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