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Onde errei eu?

Cansados, indignados e pobres continuamos a caminhar e a ouvir políticos que apesar das promessas e talvez boa vontade, não conseguem resolver o problema do país. Novos empréstimos, novas obrigações e um somatório de dívida que nos impede de sonhar com um futuro melhor. Dizem-nos que há sinais de retoma económica e logo a seguir anunciam um Orçamento necessariamente duro e austero para 2014, ao mesmo tempo que continuam a referir como medida, novos cortes para reduzir custos. A conclusão não pode ser animadora, vamos continuar a pagar os erros do passado e a manter austeridade sem saber ao certo para onde vamos.

J. Carlos Queiroz
6 Out 2013

Desemprego acima dos 17%, recessão económica, aumento de pobreza, apesar de sinais de ostentação de alguns e exclusão social crescente, são evidências que impedem uma visão optimista da situação do país. Por muito que prometam os nossos políticos não conseguem merecer a credibilidade da maioria do povo, exactamente porque os sinais a que aludem não se concretizam na prática e a pobreza e a fome não se compadecem com boas palavras. Nós que votamos e pagamos os erros políticos cometidos por alguns governos, também perguntamos onde e quando erramos, pois na verdade muitos ou quase todos os reformados e pensionistas, a título de exemplo, percorreram um caminho mais ou menos longo com sacrifícios e contribuições decorrentes das normas e do sistema político vigente, apenas com a garantia de obtenção de determinada pensão após longa carreira contributiva. Onde é que eu errei para me confiscarem agora parte da pensão, sabendo que dela dependo para sobreviver e que daí resultará inevitavelmente perda de qualidade de vida, com menos idas ao médico, à farmácia, às compras e mesmo sendo obrigado a cortar nos bens essenciais à vida.
Porque não podem os jovens estudar e os licenciados trabalhar, porque tornam o trabalho precário e desenvolvem políticas de instabilidade social. Onde é que eu errei é a pergunta de grande parte dos cidadãos, perante as sucessivas medidas de austeridade que impedem os cidadãos de ter uma vida digna. A perda do poder de compra tem consequências dramáticas na vida das pessoas, especialmente naquelas que viviam um pouco acima do limiar da pobreza e conseguiam gerir suas vidas com salários e pensões situados na proximidade do salário mínimo. Quem pode hoje suportar encargos com cuidados médicos, ou dar oportunidade a um filho ou neto de prosseguir estudos?
Quem neste país pode agora viver como dez anos antes? Que políticas são estas que visam apenas  punir quem nunca se excedeu nos seus gastos. Muitos são os que deixaram de utilizar seus carros e outros mesmo de sair de casa, como consequência das limitações económicas por efeito da redução de rendimentos. Onde é que eu errei, vai continuar a ser a pergunta de cada um dos muitos que este governo escolheu para vítima dos erros políticos do passado e do presente. Até quando esta pergunta ficará actual… onde é que eu errei? Será que os políticos vivem apenas para desenvolver medidas para pagar aos credores ou devem também e em primeiro lugar, governar para as pessoas e para a estabilidade social? Com troika à vista o país sempre fica à espera de austeridade em vez de esperança. Ser isto um sinal de boa governação?




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