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Paris já está a arder?

Quem pergunta é Hitler, aquando da Libertação de Paris, pela Resistência – 25 de Agosto de 1944. Relatam Dominique Lapierre (DL) e Larry Collins (LC). Mais tarde escreverão Oh Jerusalém!, sobre a Independência de Israel e Esta Noite a Liberdade assente na independência da Índia e do Paquistão e o “Ou tu porteras mom deuil” – na capa uma mítica foto da Guerra Civil de Espanha, que aborda. Anos depois dar-nos-ão Nova York está a arder? – ficção da eleição presidencial de George W. Bush e da chantagem terrorista.

Gonçalo Reis Torgal
5 Out 2013

Para estas Crónicas nunca terei escolhido uma série de livros tão condizentes com o Portugal de Hoje. Não fora a morte de LC, quiçá escrevessem um não interrogativo, mas afirmativo Portugal já está a arder! 
Um ARDER total.
Ardem florestas, casas, alfaias agrícolas, bens pessoais, carros e material dos bombeiros. Ardem vidas!
Desleixo, descuido, mãos criminosas? De tudo.
Sobre tudo, a abnegação dos bombeiros, morrendo mais de uma dezena pelo seu Próximo. Próximo que, Povo, reconhece o sacrifício, os bem diz e ajuda. Próximo que, Governo, não previne, não precata, não castiga as origens criminosas dos fogos, não gratifica, não indo, na generalidade para além da protocolar presença de ministros nos funerais das vítimas, e até, pasme-se, trata ingratamente.
Pois a Defesa, acirradamente empenhada em extinguir uma Instituição centenária que tanto deu à Pátria – o Colégio Militar, não sonega aos fogos os soldados que envia, gastando fortunas, para o Afeganistão e outros estranhos sítios? Pois não mantém nos quartéis ou vão para a Bósnia tropas de engenharia que com saber podiam abrir estradas ou construir pontes com que se pudesse acudir aos incêndios? E por que é que a FA está dotada de F16, que vai vender ao desbarato, e não tem aviões par combater incêndios?
Que faz o Ministério da Administração Interna? Chora, sentidamente, aceito, os bombeiros mortos, mas não disponibiliza a GNR para patrulhar eficientemente as florestas. Cala-se perante a atitude de um GNR (gritante INGRATIDÃO) que multa um veículo, mal estacionado, seja, dos e com bombeiros que retemperavam forças num Café. (Notem que isto se dá onde a CM se indigna com Touradas, mas nem bom senso pede.) E por que não manda o Ministério da Agricultura, se é dele a Tutela, limpar as Matas do Estado e colocar os Guardas Florestais a agir nas e pelas florestas, saindo do remanso burocrático para onde foram no PREC? PORTUGAL está a arder e o Governo só faz contas aos milhões que gasta, enquanto por seu lado e noutra perspectiva age como um verdadeiro incendiário social, como muito bem demonstrou (Público 10/9/2013) Victor Malheiro, quando – lembrando a invectiva, de J. Nye Welch ao senador McCarthy: “Have you no sense of decency?” – escreveu da falta de decência do Governo o que, com vénia, cito: “Há decência nos swaps? Na destruição da escola pública? Na humilhação dos pobres? Na destruição da universidade? No aumento do desemprego a que chamam flexibilização? Na destruição da administração pública a que chamam requalificação?
Não têm o sentido da decência? Não. Não têm, não querem ter e têm raiva a quem tem.”
Incendiários puros! Concluo eu – acrescendo à indecência o Roubo dos Reformados – e concluirá quem está sem clubite na política.
Escolhi bem o titulo “pedido” a DP/LC sobre o arder de Paris. Quiçá melhor o arder de NY, pois, para lá do fogo real e anti-social vivemos a chantagem sobre o TC feita não só cabotinamente por CPP mas, inacreditável!, pelo sinistro António Mexia.
Mal não estariam os demais livros da dupla. Todavia ao revés. Israel, Índia e Paquistão celebravam a liberdade, tal como Paris celebrara o fim da ocupação. Nós seguimos ocupados, sem soberania, em democracia espartilhada e autoritária, à espera do Esta noite a Liberdade. LIBERDADE que veio da resistência. Nós sobrevivemos mas não resistimos – como bezerros rendemo-nos. Tão-só, chorosos, em reticências, perguntamos:
Porão luto por nós…




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