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Sucesso que surpreende?

No passado fim de semana fomos agradavelmente surpreendidos por duas vitórias inéditas para o desporto português. Rui Costa sagrou-se campeão mundial de estrada em ciclismo em Itália, e João Sousa, ganhou um torneio do circuito ATP na Malásia. Com estes feitos, estes dois portugueses, passam desde já, a ser considerados como o melhor ciclista e o melhor tenista de sempre da história do desporto português. Estes factos vêm provar que os portugueses podem ter resultados ao mais alto nível no difícil mundo do desporto de alta competição, embora em ambos os casos, muito deste sucesso passa por períodos de preparação e competição fora de Portugal, viver quase sempre na condição de emigrante para chegar a este nível de rendimento.

Fernando Parente
4 Out 2013

Já todos sabemos, que qualquer português, de qualquer profissão, fora do nosso país rende mais, é mais produtivo e em geral destaca-se dos seus pares. Estes factos mais do que comprovados, revelam que alguma coisa está errada “cá dentro”, e o desporto, como muitos já afirmaram, é apenas o espelho da sociedade! Então o que está mal?
Portugal possui muitos talentos em diferentes áreas e o desporto, como se vê, não é exceção. O problema é que não estamos organizados, não temos uma estratégia, um caminho a seguir! Perdemos talentos desportivos todos os dias porque não são aproveitados, porque os agentes desportivos e políticos ainda não perceberam que têm que trabalhar e decidir melhor. Não pode haver sobreposições e desperdício de recursos. Os melhores têm que estar a liderar, quer seja na tecnoestrutura quer seja na política! O Rui Costa e o João Sousa são apenas exemplos de “emigrantes” que lá fora são melhores que os outros, porque nesses locais valoriza-se a produtividade e criam-se condições materiais e humanas para obter sucesso!
Foi uma semana que contribuiu para a autoestima nacional, pelo menos para os que gostam e amam o desporto e o seu País. São estas vitórias que nos animam e nos dão muitas vezes ânimo para vencer “a crise”. Até as capas dos 3 jornais diários desportivos de segunda-feira estavam diferentes, e não quero acreditar que foi por não ter havido Futebol no domingo por “força maior” do ato eleitoral do dia anterior.
Que estes feitos sejam também uma motivação extra para a divulgação e promoção de todas as modalidades e não pensar que só o futebol e os “3 grandes” é que vendem. Todos gostamos de Futebol, mas o tratamento jornalístico é exagerado, desnecessário e até contraproducente, mesmo do ponto de vista comercial e económico. Temos inúmeras modalidades que “vendem” e muitos desportistas portugueses com bastante valor e que despertariam a curiosidade dos leitores se fossem alvo de espaço redatorial. Esperemos então que os órgãos de comunicação social ajudem também a criar uma verdadeira cultura desportiva em Portugal, a gerar interesse por outras atividades, a ter mais heróis nacionais como o Rui Costa e o João Sousa e a ser mais vezes surpreendidos desta forma tão agradável!




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