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Atropelos sociais

Já no rescaldo destas eleições autárquicas de 29 de Setembro passado, muitos têm sido os comentários, as opiniões, os pouco surpreendentes resultados dos candidatos e, por tudo isto observado, ficamo-nos pelos atropelos sociais testemunhados, que evidenciam do que somos capazes: ter ínfimo interesse cultural e (nulo talvez) poder de análise. Há mais de vinte anos que afirmei através da escrita que os nossos partidos políticos não passavam de um clube de interesses, de distribuição de benesses a afilhados, filhos, sobrinhos e enteados, porque nada interessados em distribuir tostões ao povo, mas em angariar milhões em prejuízo do povo.

Artur Soares
4 Out 2013

Os nossos partidos políticos vivem sem sair do ninho, hermetizam-se, promovem-se segundo as influências e, muito pouco promovem o dom do serviço ao país, bem como as sãs convicções baseadas no carácter e na seriedade.
Fazem-se nos partidos políticos – com a má ajuda das televisões – deputados, vereadores, primeiros-ministros e outros, que devido à pouca idade que têm e à nula experiência de vida também, são os causadores da fuga às mesas de voto e tornam fastidiosa a participação na vida social, local e nacional. São os partidos, injustos na escolha das competências, da experiência de tantos, debilitam a vida nacional e local, dispersam e dispensam (pela matreirice dos ladinos), aqueles que verdadeiramente podiam distribuir o Bem e o orgulho de se ser português.
Recordemos políticos fundadores de partidos bem de direita que, por dinheiro aderiram a partidos bem de esquerda. Ouçamo-los a defender o esquerdismo por estar em causa um lugar no governo ou uma presidência de Câmara.
Recordemos aqueles que provocaram a doença económica no país e, bem recheadas agora as suas algibeiras, vivem soltos, dão entrevistas, fazem opiniões e, altivamente passeiam-se por Paris ou Londres.
Recordemos os (vários) que foram incompetentes políticos, prejudicaram Portugal, rotulando-nos desse modo – perante o estrangeiro – de povo inculto e de madraços, onde ninguém lhes pediu contas, ninguém os julgou etc. enquanto noutros países são julgados e presos. Nós por cá, a estes damos-lhes votos!
Recordemos o anterior presidente da câmara do Porto, Rui Rio, que organizou a cidade, despenhorou-a, foi competente e interessado. Um António Costa da câmara de Lisboa, que tem testemunhado competência, coerência e, ambos, não passaram ainda do que foram, quando qualquer deles deveria ter sido escolhido para governar Portugal. Mas os ladinos, os homens da noite preferem “ramos verdes” por serem mais fáceis de torcer.
Qualquer dirigente político convive muito bem com a falta de cultura do seu povo.
Até Salazar um dia afirmou que para as pessoas trabalharem nos campos não precisavam de ir à escola. Este género de políticos, por assim ser, manobram as massas, distribuem medo, porque pensam (eles) que só havendo surdos e mudos melhor dormem e melhores lucros obtêm.
Falta de cultura dizia eu possuirmos. Rui Moreira é um homem do Porto. Candidatou-se e tem grandes capacidades de brilhar por ser vertical, coerente e acima de tudo tem dado provas de grande honestidade por onde tem passado e pelo que tem feito social e profissionalmente.
Mas distanciou-se do seu partido político; ele sabe dos podres e dos desvarios existentes no seu clube; ele sabe que com jactância partidária, golpes e ambições selvagens em benefício próprio – e, logo, em desfavor do povo – talvez não ganhasse a câmara do Porto se não fosse “como independente”. E o povo analisou esta candidatura? Pensou em profundidade que o partido de Rui Moreira se distanciou do seu candidato dando-lhe “cobertura” às escondidas? E os social-democratas e socialistas que votaram em Rui Rio eram pessoas com capacidade de análise, cultura política ou coerência?
Outro exemplo: Isaltino Morais encontra-se a cumprir prisão, por ilegalidades feitas na câmara de Oeiras e fora dela, como branqueamento de capitais e fraude fiscal. O seu substituto e afilhado Paulo Vistas, colando-se a Isaltino Morais, usando seu nome e feitos criminosos ganha a referida câmara e afirma: “É um enorme privilégio e honra suceder àquele que foi considerado o melhor autarca do país”.
Moita Flores, homem sério e honrado, culto, que trepou a pulsos a vida, apresenta para Oeiras um projeto que nada tem a ver com poder pessoal, ambições pessoais ou interesses privados… vê-se ostracizado por Oeiristas que preferiram a aposta num mito e provavelmente em futuros atropelos sociais.
Mas como dizia o poeta: “o povo é quem mais “ordenha” e, pelos vistos dispensa-se de analisar, pensar e crescer, em benefício da cegueira e do seguidismo habituais.




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