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Os “infalíveis”…

O campeonato da I Liga portuguesa ainda vai no adro e, como costuma dizer-se, já se encontra “ao rubro”. Na verdade, tendo a prova 30 jornadas, ainda se jogaram apenas seis rondas. Todavia, os erros cometidos pelos árbitros, sobretudo quando envolvem os clubes chamados “grandes”, têm provocado enorme sururu nos lábios de comentadores, treinadores e até altos dirigentes desportivos – estando a transformar o presente campeonato numa verdadeira “guerra” de palavras e de insinuações, as quais poderão agravar-se nos próximos tempos se não houver contenção na matéria.

Carlos Manuel Ruella Santos
3 Out 2013

É certo que tem sido notória a existência de “erros grosseiros” cometidos pelos árbitros. Alguns deles são aparentemente “claríssimos”, mesmo quando vistos a olho nu. Outros, por ventura, apenas detetados através de sistemáticos e continuados “replay’s” televisivos – e de reconhecida análise difícil por parte das equipas de arbitragem, que têm de tomar uma decisão rápida no campo sem que lhes seja permitido o acesso a imagens de “repetição” dos lances polémicos.
Independentemente da existência desses “erros grosseiros” (que, como acima referi, têm sido notórios, pelo menos em alguns “casos”), é minha convicção plena de que as insinuações de corrupção no seio da arbitragem são descabidas. Convicção esta que assenta em, pelo menos, dois argumentos:
O primeiro destes argumentos centra-se no facto de alguns dos “lances polémicos” – que têm gerado as discussões acaloradas anteriormente referidas – só serem considerados “erros grosseiros” depois de vistos e revistos nas imagens televisivas;
Outro argumento reside na circunstância de os árbitros de futebol, como qualquer mortal, estarem sujeitos a errar (“errare humanum est” – errar é próprio do homem, como diziam os latinos), sem que haja, necessariamente, intenção dolosa no cometimento desses erros.
Bem sei que a “clubite” que impera no nosso futebol não “aceita” facilmente o argumento de que os árbitros possam errar sem dolo, sem propósito, sem intencionalidade prévia. Mas a verdade é que os principais agentes que intervêm nos jogos da bola erram muito mais do que os árbitros…
Erram os treinadores quando escolhem estratégias e definem táticas que não colhem efeitos positivos nos jogos e nos resultados destes, ou quando fazem “equipas” e substituições que são facilmente reconhecidos como autênticos “erros de casting”!
E erram os futebolistas (que são profissionais – alguns pagos a peso de ouro…) e que, mesmo assim, têm falhas incríveis, “grosseiras” – daquelas que poderíamos qualificar como inadmissíveis num vulgar futebolista amador, quanto mais num atleta profissional e bem abonado mensalmente…
Ora, se quer treinadores quer jogadores têm falhas e erros “calamitosos”, alguns de atar as mãos à cabeça, e ninguém os acusa de “estarem feitos” com o adversário – não se percebe por que motivo é que só os árbitros não podem cometer erros, sob pena de, cometendo-os, serem imediatamente acusados de corrupção e de outras motivações eticamente inaceitáveis!
É evidente que todos sabemos que a melhor forma de “esconder” os nossos erros é desnudar e hiperbolizar os erros dos outros. Mas no futebol não há… infalíveis!




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