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O uso de psicotrópicos em Portugal

O uso de medicamentos psicotrópicos em Portugal é um tema que merece com urgência reflexão e debate reflexivo, para se encontrarem respostas adequadas à situação atual. Infelizmente, a sociedade civil vive no auge crescente dos problemas depressivos e ansiolíticos. Um estudo credível da consultora “IMS Health” aponta que os portugueses compraram, em média diária, 75 mil embalagens de antidepressivos, complementando com os de humor problemático, tranquilizadores e, numa fase mais acentuada, os de natureza hipnótica e sedativa.

Albino Gonçalves
2 Out 2013

O desemprego, o divórcio, a doença, os conflitos e as tensões no ambiente de trabalho, as dívidas, o luto, a incapacidade de acompanhamento do ritmo da vida e as exigências dos novos padrões personalizados nos estilos comportamental e de atitude na carreira, no protagonismo, na convivência, etc., são, entre outros, alguns dos fatores mais evidentes para a compra destes medicamentos.
Naquele estudo não são mencionados outros modelos semelhantes ao consumo de antidepressivos, tais como o alcoolismo ou o uso de substâncias tóxicas leves ou pesadas. Contudo, o resultado é devastador em todas as vertentes da pessoa humana. Regista-se um aumento de 1,9 em relação ao mesmo período do ano transato. Não está contabilizado o mercado paralelo e suspeita-se que a venda de psicotrópicos se faça em grande número sem vigilância e prescrição médicas.
A valência médica psiquiátrica do Hospital de Braga não é uma exceção: é intensamente procurada por uma população afetada por aquelas patologias, que, no nosso país, conseguem ser superior duas vezes a de outros países, tal como a Alemanha e a França. É uma situação alarmante e já devidamente sinalizada para merecer um olhar profundo de quem tem responsabilidades acrescidas na qualidade devida cognitiva ou emocional da população. Tanto mais que, atualmente, o isolamento, a segregação, a exclusão, a incapacidade económica, o stress, etc., representam uma alta dosagem numérica de afluência aos psiquiatras.
De facto, foram vendidas no nosso pais, entre 2008 e 2012, quase um milhão de embalagens de medicamentos psicotrópicos. Assistimos ao aparecimento de um novo timbre de violência, são inúmeros os internamentos compulsivos de pessoas que não são devidamente acompanhadas, e são alvo de abandono, valendo-lhes o suporte de tratamento hospitalar, assim como a perda de rendimentos pode degenerar em situações de famílias e meios sociais desmembrados…
Marta Santos Pais, ligada à UNICEF, afirmou recentemente que “tudo isso vai aumentando a situação de privação que os mais desfavorecidos vão sentindo. As crianças normalmente são muito invisíveis neste contexto. A austeridade é inelutável, não podemos ignorar que ela existe. As medidas para fazer face a essa situação é que terão de ser pensadas com um rosto humano”.
Esperemos ansiosamente que a sua mensagem seja levada em consideração, em prol da felicidade e do bem-estar da saúde mental dos cidadãos portugueses e de todo o mundo!




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