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Às três foi de vez

Cumpriu-se o ditado popular de que não há duas sem três e de que às três é de vez; e Ricardo Rio, como candidato da Coligação Juntos por Braga, conquista a presidência da Câmara Municipal, há 37 anos em poder dos socialistas com Mesquita Machado sempre ao leme. Venceu, assim, a pertinácia, o voluntarismo, a resiliência, a vontade de cumprir e vencer; porque muito intrépida, suada e sofrida, a vitória de Ricardo Rio e da sua equipa é muito mais gostosa, compensatória e reconfortante.

Dinis Salgado
2 Out 2013

Depois, num país onde abundam os políticos que fogem às suas responsabilidades, deixando cair, de ânimo leve, os seus projetos e propósitos, Ricardo Rio, que perseguiu durante 12 anos o seu sonho e vontade de vitória, é bem um exemplo a apontar.
Ademais, o projeto do candidato socialista era o mais do mesmo, a evolução na continuidade, não garantindo, assim, a necessária e desejada rutura com o passado por que a maioria dos eleitores ansiava; e como bem diz o nosso povo não se deve pôr sempre os ovos no mesmo cesto.
Todavia, apagadas que estão já as luzes da ribalta e da noite da vitória, é tempo de arregaçar as mangas, refletir e concluir que o mais difícil está para vir, porque o mais difícil ainda está por fazer: uma cidade para todos e onde seja bom viver.
Porque, até agora, Braga cresceu muito, cresceu demais e desordenadamente; sofreu mesmo de elefantíase que é a doença oncológica da construção civil e do asfalto. E a Cultura, o Património, o Ambiente, a Sustentabilidade, a Infância, a 3.ª Idade: são exigências do presente e garantias do futuro.
Depois, as cidades modernas querem-se dinâmicas, livres, solidárias, coesas e, mais do que tudo, o epicentro de uma vida multifacetada e global; e a nossa cidade, porque tendo estado plasmada no tempo, precisa de dar o salto qualitativo e integrado que define a vida urbana de amanhã.
Enfim, uma cidade cosmopolita e inclusiva, regenerativa e educadora sob o ponto de vista humano, social, espacial e territorial e que os 37 anos de gestão socialista, monolítica e autocrática, agora derrotada, mais apostada na descaraterização e desertificação de espaços e paisagens e na deslocalização da cidade, humana e física, para as periferias, irremediavelmente foram esquecendo.
É esta renovação, inovação e mudança que os bracarenses esperam da nova gestão autárquica que lhes restitua uma cidade moderna, segura, apelativa e onde, finalmente, seja bom viver.
E porque o país vive em tempo de vacas magras, escanzeladas, tuberculosas e Ricardo Rio herda uma Câmara Municipal estruturalmente pesada e complexa, mais difícil será encontrar o rumo do sucesso, bem-estar e felicidade para todos. Mas, os bracarenses de bom senso e muita clarividência acreditam que o barco rumará a bom e seguro porto e não será preciso andarmos frequentemente, por aí, a praguejar:
– Porra, vai cá uma nortada!
Então, até de hoje a oito.




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