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Começou um tempo novo

Decorreram, anteontem, as eleições autárquicas já com a reorganização de freguesias. O país mudou de cor. Muitas surpresas. Outras nem tanto. Ricardo Rio ganhou em Braga. Foi do seu discurso de vitória que retirei o título. Mas o tempo novo, não é só para Braga e outras autarquias. É também para o Governo. Os cidadãos quiseram colocar o Executivo sob duas possibilidades: ou Passos Coelho se afastava do barco, dando origem a nova consulta popular, ou mudava de estratégia. Como a primeira hipótese já foi por ele literalmente afastada, resta a segunda. A ver vamos.

Luís Martins
1 Out 2013

O povo manifestou-se. Disse quem queria para o governar localmente, mas também se pronunciou quanto ao que é preciso na governação central. Os eleitores foram claros. O Governo não poderá ficar indiferente. O chefe do Governo, com maior razão, por estar consciente do sentido da vontade do povo. Certo é que vai ter de ceder na sua omnipotência. Se, como afirmara antes, “há sempre uma leitura nacional a fazer das eleições autárquicas”, não pode deixar agora de retirar consequências. Como o presidente do PSD reconheceu, já ao final da noite de domingo, que os resultados da consulta popular foram “claramente negativos” para o seu partido, relevando ainda terem sido “um dos seus piores”, só comparados com os obtidos na década de oitenta. E também reconheceu que o partido socialista teve uma “vitória expressiva”. Pode ser que este reconhecimento o leve a ser consequente. Talvez assuma, desta vez, que a voz do povo tem tom, intensidade e mensagem. Não são precisas muitas palavras. Às vezes, até não são necessárias, e a mensagem pode prescindir das palavras.

É que o governo tem andado em contra-mão, como foi referido num jornal diário da última sexta-feira. E isso não aconteceu nem uma nem duas vezes. Contam-se já quase pelos dedos de uma mão. Na verdade, foram já quatro as vezes em que não cumpriu o código deontológico. Razão suficiente para atiçar os eleitores e gerar tensões que se transportaram, antes, para algumas manifestações mais ou menos controladas e, agora, para os boletins de voto das eleições autárquicas. A Constituição tem sido atacada, experimentadas as suas defesas e desconsiderados os veladores das normas fundamentais pelos que têm tentado penetrar desrespeitosamente no edifício dos direitos e garantias do povo. E isso, paga-se.

Uma sucessão de choques colocou os portugueses de sobreaviso. Um condutor perigoso, pode despistar-se em qualquer curva por pouco pronunciada que seja. E se isso acontecer, nós, que vamos dentro, estamos sujeitos às consequências: ir pela ribanceira abaixo ou até morrer. Por cautela, o mais seguro é confrontar o condutor com a carta que lhe foi passada pela entidade competente. Se não cumprir, a penalização mínima deve ser o impedimento de conduzir. Seja considerado imputável ou inimputável. A situação é séria de mais para complacências.

Regressando às eleições de domingo… Contados os votos, verificou-se uma penalização das candidaturas apoiadas pelos partidos do poder, mas houve excepções. Foi o caso de Braga. Por aqui, como não podia deixar de ser, também se fizeram sentir as medidas do Governo. E de forma gravosa! Também por cá, o desemprego se robusteceu e muitas empresas entraram em processo falimentar. O candidato da Coligação “Juntos por Braga” teve crédito dos eleitores que apostaram nas suas propostas e na sua pessoa para as cumprir. Acabou por ganhar contra a corrente. Depois de várias tentativas, é certo, mas cumpriu-se o ditado: à terceira foi de vez. Não foi uma goleada, de sete a zero, com pendor socialista, como ouvi no final do debate entre os vários candidatos. Foi, ao contrário, uma vitória muito confortável de Ricardo Rio. Parabéns ao vencedor! À sua concelhia também. Sem “defraudar as expectativas de ninguém”, o novo presidente eleito tem agora a oportunidade para fazer diferente, para melhor, projectando Braga “a nível nacional e com peso regional”, como defendeu. Mãos à obra!




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