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Hora de chegada, hora de despedida

Não é fácil dizer adeus, seja a quem for. Pior será se esse adeus não tiver regresso ou um regresso pouco provável. A despedida sem regresso é a morte sem pranto ou funeral. Nesta hora de despedida de Mesquita Machado, quero dizer-lhe o seguinte: lembra-se da fábula do leão moribundo? Os animais que mais o adularam enquanto ele era todo poderoso, foram os que lhe deram patadas quando o encontraram enfermo. Prepare-se para receber destas patadas. Em segundo lugar vai verificar que os elogios e lambedelas de botas que recebia eram para o cargo que podia dar e não para si pessoalmente: véspera de benefício primeiro dia de ingratidão.

Paulo Fafe
30 Set 2013

Em terceiro lugar vai assistir à debandada, não se admire, são os ratos à procura do novo barco. Mas a vida é mesmo assim. O balanço do seu “consulado” é para a história e esta só se fará com justiça e isenção quando o tempo esfriar os acontecidos e desmaiar as paixões. Por mim e para tantos outros que nada pedimos e nada de si recebemos fica-nos a grandeza de alma de o ver partir com toda a normalidade. Chegou a hora de outros chegarem. Aos que chegam eu quero pedir que cumpram o que prometeram. Foi por essas promessas/programa que votaram todos aqueles que os escolheram. Os bracarenses passam, a partir de agora, a ter os olhos postos no novo presidente e na sua equipa. Tenha a certeza, senhor  presidente, Ricardo Rio, que passou a ser escrutinado dia e noite, tanto pelo que faz, como pelo que deixou de fazer, pelo que disse como pelo que não disse, pelo explícito e pelos subentendidos; nada estará ausente porque o sr. presidente tornou-se um alvo para onde convergem todas as setas das atenções. Braga entra numa nova fase a que eu chamaria de preenchimento de lacunas e insuficiências. A nível de lacunas é notório o divórcio de décadas pela cultura, em todos os seus campos e aspetos. Há muito a apoiar mas também há muito a evocar. Precisa da memória do passado na perpetuação dos que foram nossos maiores. Eu não quero fazer de estrangeirado mas a verdade é que percorro de lembrança os jardins e praças do estrangeiro e por lá vejo estátuas de escritores, músicos, pintores, bailarinos, políticos. E fico-me a pensar por que será que há um deserto em Braga. Como eu gostaria, por exemplo, de ver em frente ao Teatro Circo a estátua de Gil Vicente. Deve acabar com o conceito de concha que tem caraterizado o pensamento bracarense e abrir Braga para a ideia de ser parte integrante de uma área metropolitana. Braga tem vivido fechada em volta das festas do
S. João e da Semana Santa. Isto é tão pouco como resumir o turismo a visitas à Sé. Falou-se na campanha eleitoral sobre o momentoso problema da falta de emprego e disse-se, como se diz em toda a parte, que este só surge com o investimento. Pois parece-me que chegou a hora da câmara de Braga fazer um marketing agressivo a nível nacional e europeu para atrair ao concelho os investidores. Como? Ninguém nos conhece se não nos tornarmos conhecidos. Nada existe se não for divulgado. Parece-me que devem estudar as melhores maneiras de dizer aos investidores, venham porque licenciamos no momento, oferecemos terrenos a preços simbólicos, taxamos ao mais baixo custo e isentamos por x anos de derramas, temos uma mão de obra jovem e qualificada, por exemplo Tudo isto tem de ser verdade e divulgado para ser conhecido. É uma política nova, a que preenche as insuficiências e pode vencer maior praga social do nosso tempo. Parabéns sr. Ricardo Rio. À alegria de ontem junto os nossos votos de felicidades para o mandato que ora começa. Pense que o dia de hoje já é amanhã.




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