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Consciência, alegria e felicidade

Penso que a consciência de quem somos é fundamental, mas é muito importante o que fazemos a partir do conhecimento dessa consciência de nós, ou seja, a capacidade que temos de equacionar um projecto de vida de acordo connosco; nessa viagem de realização de nós para sermos felizes, que é o mesmo que dizer, realização da nossa vocação, não devemos esquecer-nos de nos questionarmos permanentemente, de escutar o mundo e de nos escutarmos a nós, seguindo sempre a orientação dos nossos valores, aprendendo com os nossos erros, sem ficarmos derrotados e percebendo os nossos fracassos, sem ficarmos presos aos nossos insucessos ou ao nosso sofrimento…

Sara Meireles
29 Set 2013

A grandeza da nossa condição humana permite-nos sempre recomeçar porque dentro de nós há algo que nos sustenta e nos pode orientar para o bem e para a felicidade. É o telos, de que nos falavam os gregos, que nos impele para o cumprimento de nós. A nossa felicidade tem a ver com essa firmeza maleável de seguirmos o nosso projecto que terá de ser aquele que nos torna melhores e nos conduz à sabedoria. A felicidade tem a ver também com essas pequenas grandes coisas da vida de todos os dias, mas também com os mistérios que a pouco e pouco se nos irão revelando, se nos voltarmos para dentro de nós e sentirmos essa Força Maior do que nos habita, e nos visita tantas vezes, convidando-nos sempre a olhar e a ver mais claramente o mundo e a nós…
Claro que a felicidade, embora esteja na essência do ser humano, é algo prospectivo que nos move em direcção ao futuro, é como um íman que nos ajuda a caminhar no sentido do conhecimento de nós e do mundo. É sempre um estado muito frágil que requer atenção, e que está também muito relacionada com o nosso modo de ser, daí a importância de uma personalidade equilibrada, mas também aberta à imprevisibilidade.
Como dizia Ortega e Gasset, no âmago do ser humano está escrito o herói e a tragédia… E a cada instante da vida é preciso sempre saber optar. E esta possibilidade de sempre poder optar dá-nos o sentido da nossa liberdade mas também da nossa responsabilidade.
Talvez não se trate de ser fácil ou difícil agarrar a felicidade, mas antes de uma possibilidade que todos temos; para isso é preciso uma vontade, uma vontade férrea, um querer e não um mero desejar de se caminhar no sentido da realização de um projecto que seja bom para nós e para os outros, e que nos torne cada dia mais sábios, ou seja, melhores, tendo em conta sempre todos os ensinamentos que os grandes homens, antes de nós, já pos-
suíam, porque pela experiência e pelo estudo já puderam concluir que há princípios amigos da felicidade.
Mas também há coisas muito simples que dão bons resultados – uma espécie de bom senso, fruto da experiência que a humanidade foi criando ao longo dos tempos e que eu tive a sorte de ter recebido pela educação.
Não é uma questão de pensar, é antes ir agindo e avaliando e o hábito de agir bem, o hábito de praticar a virtude, vai tornando as nossas acções sólidas e, como diziam os antigos, o hábito de praticar a virtude torna-nos melhores e mais sábios e pode criar em nós uma segunda natureza. E também ajuda se olharmos com atenção como se comportam aquelas pessoas que nos parecem felizes, que andam sempre bem-dispostas, cheias de energia e esperança.
A alegria é o doce fruto de quem é feliz. É uma questão de compreendermos que é preciso amar para se ser amado e saber viver com o olhar dos outros e sem o olhar dos outros, saber viver só e saber viver acompanhado…




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